Por Mariângela Carvalho
O amor, talvez o sentimento mais perigoso nutrido por homens e mulheres, tem sempre aquela alta parcela de dor, às vezes de raiva, saudade, arrependimento ou simplesmente o melhor motivo para se acordar todas as manhãs.
Pensando nisso, o Urbanaque intitulou sua nova coletânea como “Love Hurts” e lança, em plena época de Dia dos Namorados, sua terceira compilação virtual com bandas que sentem de perto as agruras do amor mas, melhor que sofrer calado, exprimem seus sentimentos através das músicas que você pode baixar agora.
Como o amor depende do coração de quem sente, “Love Hurts” vem cheia de faixas autorais, em diversos graus de sentimentalismo e com uma variedade absurda de estilos.
De um lado reunimos nomes como Wander Wildner, Relespública, Madame Saatan e Sebastião Estiva, que estão com disco novo pronto e prestes a lançar. Do outro, Poléxia, Impar, Snooze, The Playboys, Lasciva Lula, Z.G.R., Stereoscope e Superquadra, que entraram com faixas de seus últimos discos lançados. Todas as músicas, você vai ouvir, falam, cada qual a sua maneira, das mazelas e percalços de manter-se em meio às inquietudes amorosas.
Bônus
Junto à coletânea, você ainda pode ouvir 3 faixas bônus interpretadas por Vanguart e Ludovic.
Altamente refinado, o Vanguart compôs “Soon We’ll Be Nothing” especialmente para o lançamento. Passional, o Ludovic cedeu a faixa “Unha e Carne”, presente em seu segundo disco “Idioma Morto”.
Juntos, Vanguart e Ludovic, interpretam “Leonor”, música do Mundo Livre S/A. A releitura também foi pensada para integrar o contexto love hurts e vem intimista, lamentosa.
Você pode afundar em dores recorrentes ou encontrar algum consolo nestas 15 músicas. Para deixar tudo ainda mais dolorido e pesaroso, leia o faixa-a-faixa de “Love Hurts” e tente entender alguns dos porquês de tanto sofrimento.
Lembre-se que o amor machuca, então vá com calma...
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Lista de Músicas:
01 – Snooze – “Sunshine”
02 – Relespública – “Sonhando Acordado”
03 - Lasciva Lula – “Pra Matar A Fome”
04 - The Playboys – “Ursinho de Pelúcia”
05 - Z.G.R. – “Happens Everytime When I Look at Her”
06 – Poléxia – “Eu Te Amo, Porra!”
07 – Impar – “Ela”
08 - Sebastião Estiva – “Francine Terá Sua Vingança em Curitiba”
09 - Wander Wildner – “Porta Retratos”
10 – Stereoscope – “Maria, Doze Anos”
11 - Madame Saatan – “Molotov”
12 – Superquadra – “As Histórias de Amor Sempre Acabam”
Bônus:
13 – Vanguart - “Soon We’ll Be Nothing”
14 – Ludovic - “Unha e Carne”
15 - Vanguart+Ludovic - “Leonor” (Mundo Livre S/A).
Faixa a Faixa – Love Hurts
Snooze (SE) – “Sunshine”
“É uma típica lovesong pra curtir sem ter vergonha, dá pra tocar no rádio mas ao mesmo tempo não é piegas. Pra mostrar pruma namorada também é legal, mas se for ver, a letra é "lovehurt" total, fala do fim de um relacionamento...” (Rafael Jr., bateria)
www.snooze.com.br
Relespública (PR) – “Sonhando Acordado”
“’Sonhando Acordado’ foi escrita em pleno ano 2000, na virada do milênio, totalmente inspirada no acaso, no encontro inesperado, naquilo que uns chamam de destino. Quando você conhece alguém especial e nunca mais encontra aquela pessoa, acaba “esquecendo” que ela existe, mas num belo dia ela ressurge na sua vida. Isso aliado ao fato que o telefone celular virou mania de lá pra cá; e como todos sabem, qualquer um pode ser encontrado com o tal aparelho móvel. Mas para isso, ele deve estar ligado... Por isso ‘não deixe o telefone desligado e nem me deixe aqui sonhando acordado!’.” (Fabio Elias, vocais e guitarra)
www.relespublica.com
Lasciva Lula (RJ) – “Pra Matar A Fome”
“’Pra Matar A Fome’ é o primeiro single do novo disco do Lasciva Lula, “Sublime Mundo Crânio", e a primeira música a ganhar clipe. É um atestado de dedicação a quem amamos ("fandangos mole com coca sem gás/ e você ao meu lado zombando de mim/ pra matar a fome eu como o que tiver/ pra te amar escolho tim tim por tim tim"), ou seja, viver sem muita exigência pra si, mas com entrega total à pessoa amada. O refrão libidinoso ("lá vai, 1, 2, 3... vai/ lá vai, e tem mais/ lá vai, mais um outro/ lá vai... vou dormir") e o caráter de amor duradouro da letra ("um bilhete dizendo que amor/ que quero casar assim que voltar do trabalho à noite/ trazendo buquê e um bocado de nomes pra dar pro bebê") escancaram o prazer de viver um relacionamento. Uma declaração e tanto. O primeiro verso foi dito por minha mulher, numa daquelas tardes de domingo regadas à preguiça. Diante do lanche que tínhamos à frente, ela mandou: "Fandangos mole com coca sem gás é brabo...". A música nasceu daí.” (Felipe Schuery, vocais e guitarra)
www.lascivalula.com.br
The Playboys (PE) – “Ursinho de Pelúcia”
“A música "Ursinho de Pelúcia" é uma história carnavalesca verídica que aconteceu com um dos integrantes da banda. Quem nunca se apaixonou por um ursinho de pelúcia? Sua mãe, sua irmã e até sua atual namorada já se apaixonaram por um. Não precisa ficar com ciúmes. É fato. ‘Eu aceito ser seu Ursinho de Pelúcia (de estimação) / me coloque em sua cama, sinta meu pêlo / me conte todos os seus segredos / aqueles que só se falam para bichos de pelúcia’.“ (Z.G.R., teclados)
www.theplayboys.com.br
Z.G.R. (PE) – “Happens Everytime When I Look at Her”
“A música "Happens Everytime When I Look At Her" fala daquela sensação casual que todos nós temos de reencontrar um grande amor. Qualquer faixa do “No Feelings For Anybody Else” [EP lançado com 5 faixas] poderia se encaixar no contexto desta coletânea “Love Hurts”, visto que foi um ano de sofrimento e, em paralelo, um ano de produção, composição, gravação, mixagem e prensagem. Tudo isso por amor. Esta faixa e todas as outras do disco, além de um videoclipe, podem ser baixados pelo site.” (Z.G.R.)
www.theplayboys.com.br/zgr
Poléxia (PR) – “Eu Te Amo, Porra!”
“A razão pela qual escolhemos a canção "Eu Te Amo, Porra!", foi o fato de estarmos tratando diretamente sobre amor não correspondido na letra. A canção ilustra uma situação em que o protagonista tenta salvar um relacionamento falido. Com isso, beira a loucura, diz coisas sem muito sentido, não distingue o certo e o errado e, vencido pela estafa, conclui que... "love hurts" mesmo. Uma curiosidade: a faixa tem nome inspirado no ator/diretor Paulo César Pereio que, em meio à canalhice dos temas do cinema nacional setentista, soube como ninguém interpretar os percalços do amar.” (Rodrigo Lemos, vocais e guitarra)
www.polexia.com.br
Impar (MG) – “Ela”
“Normalmente letras de amor falam do nascimento de uma paixão ou do
rompimento de uma relação. É sempre desejo ou perda, início ou fim.
Em "Ela" eu quis falar do meio, da manutenção, da dificuldade em acertar os
ponteiros e "configurar" um relacionamento saudável. Love hurts e dá trabalho.” (Marcelo Mercedo, vocais e guitarra)
www.impar.art.br
Sebastião Estiva – “Francine Terá Sua Vingança em Curitiba”
"Francine é baseada na história real que dilacerou o coração do Estiva. Ele criou a música a partir de sua experiência amorosa com uma curitibana que falava obscenidades enquanto estava bêbada. Estiva canta certas partes da letra como se fosse o namorado da moça, mas na verdade o seu amor foi apenas platônico." (Sebastião Estiva)
www.myspace.com/sebastiaoestiva
Wander Wildner (RS) – “Porta Retratos”
“Tínhamos um relacionamento maravilhoso. Achava ter encontrado a mulher da
minha vida. Aceitava seus defeitos, todos temos. Depois de alguns anos nos
separamos. Voltamos logo depois. As coisas já não eram mais como antes e
algum tempo depois nos separamos novamente. Foi quando percebi que não era possível voltar no tempo e ser como antes. Ela tinha mudado. Vi que nenhuma foto minha estava junto às outras. Aquilo foi marcante. Percebi então que porta-retratos... nunca mais. Viajei, fugi, fui pra longe. Mas longe as
vezes é um lugar muito perto e voltamos mais uma vez dois anos depois,
sempre pensando na volta daqueles bons e apaixonados momentos. Vivemos dois anos juntos. Mas aqueles bons momentos nunca voltaram. Levei esses dois anos para descobrir que ela não estava apaixonada. Dizia que me amava, que gostava muito de mim, que eu era um cara muito legal. Mas paixão que é
bom... nada. Porta-retratos... nunca mais.” (Wander Wildner)
www.wanderwildner.com.br
Stereoscope (PA) – “Maria, Doze Anos”
“Nenhum sentimento é mais devastador quanto os que sentimos quando temos doze anos de idade. A música "Maria, Doze Anos" fala de um tipo de amor improvável e foi inspirada, entre outras coisas, pela atmosfera do filme espanhol "La Lengua de Las Mariposas". Nostalgia da época provavelmente mais feliz de nossas vidas, mas que nos parece ser a mais infeliz. Se o amor realmente dói, ele dói mais na infância e adolescência.” (Jack Nilson, vocais e guitarra)
www.fotolog.com/stereoscope
Madame Saatan (PA) – “Molotov”
“‘Molotov’ fala de um amor difícil, intenso e difícil porque é impossível. Por isso, é uma bomba que pode explodir se os envolvidos se aproximarem. Em suma, todos os elementos do amor-paixão-dor estão entranhados nessa música. Uma daquelas baladas pra acender os isqueiros e botar a mão no peito não pra chorar e sim expurgar os demônios.” (Sammliz, vocal)
www.fotolog.com/madame_saatan
Superquadra (DF) – “As Histórias de Amor Sempre Acabam”
I “Intensidade e finitude. A música fala sobre isso. Mesmo estando ao lado de alguém o narrador sabe que uma história de amor sempre acaba. E a história sem fim, tá lá no futuro, que nunca quer chegar. O coração partido anota coisas, escreve fragmentos, que nunca serão lidos. Diante do fim, a punição de sofrer sozinho, em casa. A negação da diversão e do prazer.”
II “Penso também na(o) Divine, minha primeira banda, que acabou em março de 2002. A gente vivia uma história de amor que terminou por email quando estava em São Paulo na casa do vocalista do Fire Friend. Doeu muito, e
fiquei um bom tempo sem sair de casa, até me apaixonar novamente por uma gata (o) que é a (o) Superquadra.”
III “Essa é do Zépedro [Gollo, guitarra e teclado]: em diversas sociedades, quando a menina completa 40 anos, é sempre trocada por uma de vinte. O amor, envelhecido com o tempo, é sempre trocado por um romantismo mais jovial. O tempo acaba com as histórias de amor.” (Cláudio Bull, voz)
www.superquadra.com
Bônus:
Vanguart (MT) – “Soon We’ll Be Nothing”
“(a tarântula com as mãos coaguladas de vermelho, azul e ternura branca, tocava a água de maneira leve, enquanto eu com meus olhos turvos lhe dava um pedaço de meus sonhos. ó tarântula plena e pequena dos olhos meus, não aceite a dor de suas pernas nem recuse o amor de nossas mãos. espere a chuva e o sol, antes que eles já não me venham e tenha de recorrer a ti. já sem sal, a estrela-do-mar ressurge no meio do mato, com pontas mais fortes e brilho intenso. sabiás mais gordos, alegria inacreditável de tanto riso e sono. viver para retornar a ti. só há de ser assim, desde que o dia é dia e os pássaros cantam sobre nós. quero herdar suas crianças, relembrar diariamente em um mantra de mariposas o beijo na varanda)
-pausa.
(éramos tão bonitos).”
(Hélio Flanders, voz, violão e gaita)
www.vanguart.net
Ludovic (SP): “Unha e Carne”
“Uma das poucas canções de amor tradicionais em todo o repertório do
Ludovic, "Unha e Carne" é um dos meus momentos preferidos do nosso
último disco. Não há muito o que ressaltar aqui, tudo nessa música me
agrada, cada verso dela é inacreditavelmente expressivo, pessoal e
ligado a uma determinada época da minha vida. Uma das minhas
preferidas não só entre as composições do "Idioma Morto", mas também
entre tudo que eu já escrevi.”
(Jair Naves, voz)
www.ludovic.com.br
Vanguart (MT) + Ludovic (SP): “Leonor” (Mundo Livre S/A)
“Não é fácil descrever o valor sentimental que "Leonor" tem
para mim. Poucas músicas marcaram tanto a minha adolescência, assim
como poucas vezes na história do rock nacional a batidíssima angústia
de amar e não ser amado foi tão bem verbalizada. Décima
faixa de "Guêntando a Ôia",o subestimado segundo disco do grupo
recifense Mundo Livre S/A, essa foi a canção que fez do grupo liderado
por Fred Zero Quatro a minha banda brasileira preferida por alguns
bons anos, e até hoje eu a considero um dos momentos mais inspirados
entre tudo o que foi produzido musicalmente por aqui durante os anos noventa.
O convite para participar dessa coletânea ressuscitou uma velha
vontade de regravar "Leonor", e não demorou muito para que eu
percebesse que só conseguiria realizar essa tarefa caso convencesse os
queridos e talentosos amigos do Vanguart a me ajudarem. Assim, uma vez
que a idéia de uma gravação feita a partir da união das nossas bandas
não desagradou totalmente o quinteto cuiabano, passamos
uma noite inteira decifrando quais eram os tristes acordes cantados
pelo cavaquinho de Zero Quatro na versão original, para depois tentar
transportá-los a instrumentos com os quais estamos mais
familiarizados. Alguns dias mais tarde, Reginaldo, Hélio e eu entramos
em estúdio para registrar a nossa leitura da música. O resultado,
embora não lembre em quase nada as nossas bandas de origem (ou até
mesmo por isso, pensando bem), nos deixou mais satisfeitos do que
esperávamos ficar.
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