Pop de qualidade
por BRUNO DIAS - 22/11/2007
(São Paulo/SP) A recente história do pop/rock argentino possui um personagem muito importante – Sebastian Rubin. Ex-líder do grupo de power pop Grand Prix (referência direta ao Teenage Fanclub), onde tocou por sete anos, Rubin iniciou sua carreira solo em 2004, com os lançamentos do EP VIva la Vida e do disco Componé, Ladrón.

Ano passado saiu Esperando el Fin del Mundo, segundo e muito elogiado álbum solo de Rubin, lançado em três países: Argentina, Brasil e Espanha. Agora o cantor vem ao Brasil acompanhado de sua banda, Los Subtitulados, para mostrar as deliciosas harmonias pop que compõem Esperando... em dois festivais: Senhor Festival (do selo Senhor F Discos responsável pelo lançamento do álbum no Brasil em parceria com a Scatter Records) e na 13º Goiânia Noise Festival.


Em entrevista ao Urbanaque Rubin comenta sua vinda ao Brasil, a repercussão de seu último disco, entre outras coisas.

Urbanaque - Essa é a primeira vez que você toca no Brasil? Qual sua expectativa com relação a essa turnê no Brasil? Rubin - Sim, é a primeira vez que viajo ao Brasil para tocar e minhas expectativas são as melhores, principalmente pela qualidade artística de ambos os festivais [Senhor Festival e Goiânia Noise Festival], fora a ansiedade e adrenalina naturais de tocar para um público novo e tão longe de casa.

Como está a divulgação do disco Esperando el Fin del Mundo? Ele ganhou edições no Brasil e na Espanha. Como rolou isso? Qual a repercussão do disco nesses dois países e na Argentina? A recepção que o álbum teve na Argentina e na Espanha, e pelo que me disseram, no Brasil também, foi excelente. Tive a sorte de, apesar de ser um artista independente, poder editar o disco fora do meu país e apresenta-lo em uma extensa turnê espanhola ano passado e agora no Brasil. A repercussão de Esperando el Fin del Mundo foi muito boa em todos os lugares, felizmente, e o que é mais importante, também foi a resposta que recebi do público. Todos que escutaram o álbum ficaram de bom humor, e isso não é pouco para se pedir a um disco de música pop, certo?


Fotos: Cecilia Salas/ Divulgação
"Torço para que o público se envolva com as canções..." 

Nos shows você ganha o reforço da banda Los Subtitulados, por causa disso as músicas ficam mais pesadas ao vivo? O que o público brasileiro pode esperar do show de vocês? As canções soam um pouco mais enérgicas ao vivo do que no disco, mas isso não quer dizer que perdem em detalhes. O público que for aos shows vai se encontrar com algo que os empolgará e dará vontade de cantar.

Esse show no Brasil faz parte de uma integração sul-americana que começa a ganhar força. Superguidis, MQN e Astronautas são algumas das bandas que já se beneficiaram com esse intercâmbio. O que você acha disso? Esse é o momento para essa integração ficar ainda mais forte? Torço por essa integração que você falou, porque minha impressão é que em ambos os países estamos perdendo de conhecer bandas e artistas que valem muitíssimo à pena. Sempre é um bom momento para fortalecer nossos laços, sobretudo quando se trata de música boa, quanto mais houver, melhor!

Goiânia é conhecida por ter um dos melhores públicos do Brasil quando se diz respeito a shows de rock. O que você espera desses shows por lá? Não sabemos muito o que esperar, mas desejamos que seja muito bom. Torço para que o público se envolva com as canções e com a energia do show, mesmo sem conhecer muito nosso repertório.

"Esperando el Fin del Mundo" foi lançado em 2006. Você já está trabalhando em um novo álbum? Estamos ensaiando e compondo canções novas, mas ainda não tenho um disco completo definido, mas com certeza vamos começar a gravar o sucessor de Esperando... no começo do ano que vem.

O selo SenhorF lançou "Esperando el Fin del Mundo" e agora lança virtualmente o EP "Breve" do Grand Prix. Fale um pouco dessa parceria com o selo de Fernando Rosa. Conheci o Fernando em Buenos Aires há alguns meses em um show dos Superguidis, é uma pessoa fantástica. Ele tem uma relação muito boa com a Scatter, meu selo na Argentina, e foi através deles que se editou meu álbum no Brasil. O que eu sei é que ele [Fernando] é um louco amante de música como eu, e que tem feito muito bem à música.

Além do Superguidis, que já tocou com você, quais outras bandas brasileiras (novas e antigas) você conhece? Fico com vergonha de confessar que são poucas as bandas brasileiras novas que eu conheço. Pesquisei os myspace das bandas que vão tocar comigo nos festivais e me dei conta que existe uma cena riquíssima e que é um pecado não a conhecer melhor. Aqui na Argentina apenas recebemos as bandas grandes históricas como Os Paralamas do Sucesso e artistas de MPB. É estranho que havendo uma recepção tão grande para a música de seu país, o pop e o rock tenham ficado tão marginalizados.

Quais são seus próximos planos? O que o pessoal pode aguardar para 2008? Meus planos para o ano que vem são gravar o sucessor de Esperando el Fin del Mundo, começar a produção de dois grupos de garotas que vão dar o que falar. Torço para que haja uma viagem para o Brasil na agenda!

Quais seriam as bandas que você vai produzir? Uma se chama Las Margatitas, uma banda de pop vocal onde também componho junto com Frederico Novick. A outra se chama The Lanies, que é um projeto também de garotas só que mais indie. Também vou produzir pela segunda vez a Baby Scream (não é uma banda de garotas, meu guitarrista toca nela) e quem sabe no verão gravaremos um novo EP ou um álbum.

* Conheça mais sobre o trabalho de Rubin em: www.rubinlandia.com.ar