Melhores 2007

M.I.A. - Kala
(José Flávio Júnior – Jornalista)

"Incrível como a M.I.A. conseguiu fazer um disco tão interessante quanto o antecessor Arular. Acho que ninguém esperava que ela pudesse voltar ainda mais poderosa, com influências ainda mais inusitadas e gerasse o mesmo burburinho. Esse Kala é bastante ambicioso. E não facilita para o ouvinte. As faixas mais acessíveis são as três últimas - ela teve a manha de deixar a (ótima) colaboração com o Timbaland por último. Mas com um pouco de esforço fica claro que ela fez algo genial. Da citação aos Modern Lovers que abre o disco à letra feita apenas com siglas de XR2; das cordas indianas surrupiadas em Jimmy às inserções "pancadísticas" do Diplo. Claro, o ano também teve o Security, da Antibalas Afrobeat Orchestra, e o Anormal, do Jonas Sá. Mas aqui no Urbanaque resolvi "dar essa força" para a feiosa que veio instituir a democracia musical no Terceiro Mundo."

King Khan & The Shrines - What Is?!
(Diego Cartier - Les Responsables/RS )

"Eu poderia escrever muito a respeito não só desse disco, que é o melhor de 2007, mas sobre tudo o que gira em torno de King Khan, um canadense, filho de indianos, que foi morar na Alemanha, onde conheceu os sensacionais Shrines, sua "Soul-Big-Band", que resgatou a tradição da época de ouro da Stax e Motown com sua raiz garage-punk. Ele também fez/faz parte de algumas das melhores bandas dos anos noventa para cá, como a maravilhosa dupla King Khan & BBQ Show, Black Lips e Spaceshits.

Além desse currículo, ele traz muitas histórias misteriosas e exóticas, porém o que importa aqui é falar do albúm What Is?! que é o terceiro e o melhor desse combo e uma grata surpresa nessa "Era Plástica" em que vivemos no meio musical. Eu diria que ele é o James Brown Punk. O disco é recheado de verdadeiras pérolas, fica difícil destacar apenas alguns dos 14 sons, pois todos são impecáveis, a começar pela já clássica "Welfare Bread", que nos remete ao melhor do Soul feito nos anos 60, mas com toda a peculiaridade desse guru, que reza a lenda faz até os seus bonecos de voodoo dançarem. Segue com outros sons espetaculares, energéticos, como "Le Files de Jacques Dutronc", "(How Can I Keep You) Outta Harms Way", "Land of The Freak", "I Wanna be a Girl", "69 Faces of Love" e por aí vai... É um baita disco! Para baixar o santo e afugentar os espíritos do mal. "

Grinderman - Grinderman
(Fabrício Nobre – MQN, Abrafin e Monstro Discos)

"Nick Cave na melhor forma!"

MENTECAPTO – MENTECAPTO EP
(Regis Vernissage – SOMATA e Poranduba ONG/SP)

"O disco de 2007 é fácil o primeiro EP do MENTECAPTO, auto-intitulado. Se o EP com seis sons já tem uma energia contagiante com estruturas melódicas extremamente originais e letras muitíssimo bem sacadas, o show dessa gurizada é um esporrático tapa na cara, nos olhos e ouvidos dos menos avisados. Com pouco mais de um ano de trabalho e já alcançando esse patamar de originalidade e bom gosto, o MENTECAPTO deve passar reto por vários clones na musica indie brasileira, como também fazer um grande barulho - especialidade deles - em 2008. Tem na TramaVirtual, no Mondo77.fm, no MySpace. Absurdamente recomendável."

The Clientele - God Save The Clientele
(Sebastian Rubin – Rubin & Los Subtitulados/ARG)

"Nesse disco, The Clientele confirma todo que ele já insinuava em álbuns anteriores: uma grande capacidade para compor melodias bonitas e de vesti-las com uma instrumentação mínima porém nunca escassa. A influência “lennoniana” é marcada (“Isn't Life Strange”) e o uso das cordas é preciso e precioso. Nenhuma das catorze canções que compõem o disco sobra, os temas fluem e se fundem um com os outros deixando o ouvinte com uma sensação de melancolia, como uma tarde de sol no outono."

Animal Collective - Strawberry Jam
(Gabriela Munin - Tronco Produções)

"Uma das perguntas mais difíceis que se pode fazer para alguém que gosta de música é: "Qual o melhor disco do ano?" Fiquei em uma situação bem complicada pensando na melhor resposta. Este ano foram lançados discos memoráveis, como o Sky Blue Sky, do Wilco e o Mirrored, do Battles.
Mas acho que o prêmio tem que ficar com o Strawberry Jam, do Animal Collective. Os caras apareceram com algo totalmente novo que, de certa forma, assustou os fãs da banda, que estavam acostumados com seus outros álbuns totalmente coesos. Já este, que não faz muito sentido, por essa característica se torna um álbum magnífico. “Peacebone” é uma música para ser ouvida diversas vezes seguidas. Nota 10 para os meninos de Baltimore! Acho que o mais fácil seria perguntar o pior disco do ano. E aí fico com In Rainbows."

Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar
(Pinduca – Prot(o)/DF)

"Tenho orgulho de ter feito um backing vocal meia boca e fora do tempo na faixa escondida (“Riffs”) do disco A Amarga Sinfonia do Superstar, do Superguidis. Isso porque a banda dos moleques de Guaíba (RS) talvez tenha sido a última a me impressionar no meio independente brasileiro. O vocalista Andrio, além de ser um compositor de mão cheia, também é um vocalista excepcional. O guitarrista Lucas constrói os próprios pedais e mostra que, por trás do lado piadista dos shows, há um compositor de hits tortos, nostálgicos, quase tristes. Para utilizar um clichê, a cozinha do baterista Marcos e do baixista Diogo é sólida e inteligentemente econômica. O legal é notar que, entre citações a bandas politicamente corretas (no mundo indie), como Guided By Voices e Pavement, os caras ficavam tocando Led Zeppelin e cantigas tradicionais gaúchas durante os intervalos de gravação. Talvez o diferencial deles venha exatamente dessas influências não reveladas."

Porcas Borboletas - Um carinho com os dentes
(Pablo Kossa – Fósforo Records e Chapéu, Cervejas e Frustrações/GO)

"A poesia da banda é afiada, mantendo a velha tradição paulistana mas sem negar a condição interiorana/cosmopolita/acadêmica de Uberlândia (MG). Som intrincado e simultaneamente pop. Letras inteligentes e com bom humor. Inegavelmente, uma banda (positivamente) diferenciada no cenário contemporâneo nacional."

Terra Celta - No Sintoma
(Marcelo Domingues – Festival Demo Sul, Braço Direito Produções e Trilöbit)

"Tarefinha difícil, hein? Recebemos mais de 200 CDs este ano, mas o que mais me chamou atenção foi este cedezinho esverdeado do Terra Celta. Mais uma vez voto na diversidade da música brasileira, e nas maneiras encontradas de fundi-las com outros ritmos. Por um momento cheguei até pensar estar ouvindo uma banda de folk/rock irlandesa, mas quando descobrimos que a banda era daqui, não pensamos duas vezes em convidá-la para o festival. A produção do disco ainda deixa a desejar, mas o show ao vivo já é digno de grandes bandas do cenário indie nacional, vide Móveis."

Los Porongas - Los Porongas
(Alexandre Moreira – Loaded e-Zine)

"Talvez o maior exemplo do chamado rock n roll fora do eixo. Os Porongas saíram do extremo do país, passaram pelas mão do expert Philippe Seabra e lançaram um disco cheio de referências poéticas e consistência. Assim como ocorreu no levante dos manguezais pernambucanos anos atrás, o som saído da terra das palafitas também merece muito mais atenção."

Violins - Tribunal Surdo
(Valter Resende – Loaded e-Zine)

"O que mais me impressiona é a coragem que tiveram de lançar o álbum com aquelas letras. Muitas bandas têm vontade de fazer um disco daquele, mas ficam com receio da rejeição por conta de serem mal interpretados. A produção também é primorosa. Os vocais enterrados em turbilhões de guitarras me move ao começo de uma onde de guitar bands na década de 80. Genial."

Subtropicais - Temporal no Céu da Boca
(Alexandre Kumpinski - Apanhador Só/RS)

"O álbum do ano pra mim é o Temporal no Céu da Boca da banda Subtropicais. Línguas trovejantes, pandeiro dando choque, guitarra cavocando. Toda a originalidade dos som dos Subtropicais se escuta no Temporal no Céu da Boca. Nesse disco, a banda de Porto Alegre mostra o que há de melhor pra se mostrar: composições lindas, arranjos bem armados, músicos competentes e uma produção de qualidade. É um álbum desses que dão inveja, um álbum completo, um álbum, enfim... Desses que ficam"

Arctic Monkeys - Favourite worst Nightmare
(Bernie Walbenny - Roquenrou Beibe Entretenimento, Festival, Coletânea e Portal BelRock)

"É uma missão e tanto escolher um único disco pra representar um ano que teve vários ótimos lançamentos. A minha escolha então vai pro primeiro disco que me chamou atenção esse ano, o Favourite Worst Nightmare do Arctic Monkeys. O tão aguardado segundo disco da banda não decepcionou. Passou pela prova com êxito. Música como “Brainstorm” não pode faltar na discotecagem rock de uma festa, ninguém fica parado! Tem ainda a belíssima balada “Fluorescente Adolescent”. A modulação das músicas e a disposição em que as faixas foram colocadas no disco dá a maravilhosa sensação de ouvir do início ao fim sem ter que pular faixa alguma. É um trabalho que traz a alma quente desses macacos do ártico."

Los Porongas - Los Porongas e Vanguart - Vanguart
(Pablo Capilé – Espaço Cubo)

"Duas das grandes bandas da nova safra do rock nacional, debutando em grande estilo!"

Rob K & Uncle Butcher - In 24 Hours Songs
(Ronaldo Selistre – Damn Laser Vampires/RS)

"As minhas bandas brasileiras favoritas não lançaram discos este ano, e das gringas não ouvi quase nada do que esperava ouvir, por isso tenho conhecido cada vez mais antiguidades (e estou adorando). Mas posso apontar meu favorito de 2007 e ele é, disparado, Rob K & Uncle Butcher com In 24 Hours Songs (Pisces Records). Uma exibição poderosa de guitarras blueseiras rangentes, uma puríssima evocação de ritmos, sem espaço pra virtuosismos ou excessos. É quente, muito quente. Um daqueles casos em que quase não dá pra destacar essa ou aquela faixa, mas afirmo que “Kate”, “The Spoiler” e “The Way Through The Woods” são perfeitas. Não é só o melhor disco do ano na minha nefasta opinião, mas um dos melhores discos de blues rock que já conheci."

Feist – The Reminder
(Rodrigo Lariú – Midsummer Madness)

"Putz, são vários! Mas eu não me lembro detalhadamente de nenhum deles. Este é o mal que escutar música nesta era de downloads faz ao cérebro da pessoa.

Se eu fosse imparcial, minhas escolhas iriam para os lançamentos do Midsummer Madness em 2007: a excelente compilação de hits de fitas demo dos anos 90 chamada Fim de Século ou o EP Music for Special Occasions do Private Dancers, que tem a incrível "Onnagata otosan". Isso sem falar nas músicas que já circulavam na net e nós relançamos como o EP do Trovadores de Bordel e do Fragile Arm, ambas de São Paulo. No final do ano ainda apareceram Vulkano, Amps & Lina e Churrus, bem como as preciosidades da gravadora Transfusão Noise, da Baixada Fluminense.

Mas como disco do ano mesmo, para não ficar enchendo o saco de vocês, eu escolho The Reminder da Feist. Apesar do furo que ela deu não vindo no Tim Festival, apesar do disco de 2004, Let it die, ser bem melhor que o atual, a canadense ainda têm muitos bônus para gastar. As letras são bem sacadas, como em "Past in present", a voz dela continua um feitiço e os arranjos Motown são de colocar qualquer Amy Casadevinho no chinelo. Além da Leslie Feist ser linda."

Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar
(Sebastião Estiva)

"O disco de 2007 que mais ouvi é novamente do Superguidis (pra variar). Depois do hypado primeiro álbum, a banda continuou com seu som calcado em guitarras à Guided by Voices, mas com um amadurecimento natural: as letras deixaram um pouco o nonsense de lado, e o vocal do Andrio está bem mais potente. Além disso, a parte 'catchy' não está necessariamente só nas melodias e letras, pois as guitarras estão mais ganchudas; é como se as seis cordas estivessem cantando também. As minhas favoritas são "Por Entre As Mãos", "Parte Boa" e "Nunca Vou Saber", só pra citar algumas."

A Place To Bury Strangers - A Place To Bury Strangers
(Luis Fernando - Club Silêncio/DF)

"Confesso que tava na dúvida entre esse disco, o Mirrod do Battles e o Untrue do Burial. Mas acabei derrotado pelas minhas raizes shoegazers. O disco de estréia dessa banda de Nova York é carregado com microfonias e paredões de guitarras. Com forte influência de Jesus and Mary Chain, Telescopes e My Bloody Valentine. Numa época, em que porcarias como Babyshambles e Devendra Banhart (de uma forma surpreendente) fazem a cabeça de geral por aí. Esse disco pode ser o tomate seco pra muita gente, assim como foi pra mim. Não tem nada de inovador e nem é o novo hype (como dificilmente será). É apenas um disco de rock, direto é barulhento. Musicas como "To Fix the Gash In your Head" e "My Weakness" com baterias do Automatic e guitarras do Psychocany. Além de belas soam também como uma soco no estômago. E sim, são perfeitas também pra pista de dança, em qualquer festinha de rock."

Silverchair - Young Modern
(Hígor Coutinho - http://goianiarocknews.blogspot.com)

"Em dois mil e dois o Silverchair lançou Diorama, o quarto e incrivelmente maior/melhor disco do pop mundial daquele (e de outros) ano. Em dois mil e sete o trio australiano entregou Young Modern ao mundo, e frustrou as expectativas, acumuladas em cinco anos de espera, dos milhões de desesperados por um Diorama II – A Missão.
Mas não a mim. Tudo bem que o Young Modern não tem o mesmo superlativo abstrato que faz do Diorama o que ele é, mas a grande sacada do Daniel Johns foi mesmo passar ao largo de toda aquela grandiloqüência dolente, e apontar sua parabólica para outras direções. Qualquer tentativa de se superar naquele mesmo terreno, possivelmente, seria desastrosa.
Young Modern pode ser dançante (“Young Modern Station”), melancólico (“Straight Lines”), esquisito (“If You Keep Losing Sleep”) e ainda que perca um pouco do pique em algumas faixas, disfarçadas no fim do track list, deixa vários (todos?) os hypes “concorrentes”, comendo uma poeira da grossa, lá atrás."

Foo Fighters – Echores, Silence, Patience & Grace
(Gustavo Martins - Ecos Falsos/SP)

"Racionalmente, concordo que In Rainbows foi o disco mais importante de 2007, só aquele lançamento já garantiu um lugar na história do disco, etc e tal. Mas preciso ser sincero ao meu coração: o álbum que mais me divertiu no ano foi esse último dos Foo Fighters. O que é aquele primeiro single, "The Pretender"? Perfeição do rock de arena, com letra boa e tudo mais. Lembra outras coisas que eles já fizeram, mas não acho demérito. O público deles já envelheceu, precisa renovar, ficar fazendo disco pra iniciados é coisa de indie. É preciso que existam essas bandas "de entrada" no rock, as que garantem a viabilidade comercial do gênero, e enquanto o Foo Fighters estiver nesse papel, estou tranqüilo. Fora isso, tem uma música muito boa dedicada aos emos ("Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running") e "Echoes" no nome. Pra mim já está ótimo."

Klaxons - Myths of the Near Future
(Paulo Terron - http://withlasers.blogspot.com)

"Disco dançante, com melodias bizarramente interessantes e que dá vontade de ler Pynchon, Crowley, Ballard, Burroughs."