Folk-contente
por BRUNO DIAS - 01/02/2008
(SÃO PAULO/SP) - Ela tem 15 anos recém completados, abriu um show dos cuiabanos do Vanguart em São Paulo e de repente, virou o hype do momento. Mallu Magalhães é a bola da vez no cenário independente nacional, muito por conta de seu fugaz sucesso no Myspace, local escolhido por ela (e por quase todas as bandas da atualidade), para dar vida a suas músicas. E inevitavelmente, inúmeras reportagens sobre ela em grandes veículos brasileiros pipocaram. Todos se rendendo ao talento da garota.

Suas canções são simples e carregam uma alegria peculiar, talvez típica da idade. Um “folk-contente”, como ela mesma definiu. “Tchubaruba”, uma das quatro canções que Mallu colocou em seu Myspace, já foi ouvida mais de 22 mil vezes e já se tornou um dos hits indie de 2008.

Enquanto seu primeiro disco não sai, Mallu pretende fazer shows e continuar fazendo sua música.

Na próxima semana, no dia 7 de fevereiro, Mallu se apresenta na festa da Peligro, no Milo Garage, em São Paulo, e já possui outras datas agendadas em outros clubes do circuito independente. O Urbanaque conversou com ela:

Urbanaque - São poucos os adolescentes interessados na música folk, a grande maioria prefere o emo ou a black music comercial. De onde vem esse seu interesse pelo folk? Quais são as suas principais influências?

Mallu Magalhães - Então, eu meio que gostava do folk sem saber que era folk. Foi depois de ter meu mundo musical na cabeça que o Mané [Manoel Brasil, produtor de Mallu] me contou que eu gostava de folk. Aí, comecei a pesquisar mais sobre o estilo e gostar cada vez mais.
Fotos: Reprodução/ Myspace.com
"Ter além de tudo, ali por perto, o meu mundo ‘folk-contente’".

De fora, eu escuto bastante os clássicos, como Beach Boys, Beatles, Animals, Elvis, Johnny Cash, e até Vanguart. São eles que ficam em mim.

Urbanaque - Quando se fala em folk logo vem a cabeça a figura de Bob Dylan, mas quando eu ouvi suas músicas, o primeiro nome que me veio foi o de Ben Kweller, talvez por ele também ser um cantor/compositor folk, mas principalmente por ele também ter começado bem novo. Você conhece o trabalho dele? É uma influência pra você?

Mallu - Ah, o Kweller de “Sundress”, a música ?! Gosto muuito dele! Nossa, estou muuito feliz por ter lembrado dele com meu som! Não sei se ele é uma influência para mim, além de tudo conheço o trabalho dele há pouco tempo. Mas eu o admiro bastante!

Urbanaque - Você que compõe todas as músicas, certo? De onde você tira inspiração para escrever as letras?

Mallu - Vem de coisas que eu passo, coisas que eu quero dizer para alguém. E também de coisas que eu imagino.

Urbanaque - Como rolou o convite para abrir o show do Vanguart? Você já conhecia a banda?

Mallu - Eu já os conhecia. O Mané tinha me apresentado, a gente ia a show e tal. Assim, eu já amava! Aí recebi uma ligação de uma moça (muito simpática por sinal, Indayara ), que me chamou!

Urbanaque - Ao vivo você costuma tocar com uma banda de apoio. Quem são os músicos? Eles são jovens como você?

Mallu - Eles são a banda que toca no estúdio. São mais velhos, eu prefiro. Eles tocaram nas gravações, e acabei precisando da ajuda no show, e eles toparam. Eu tive sorte de ter achado esses caras, do Lúcia no Céu [nome do estúdio e da banda].

Urbanaque - Com quantos anos você começou a tocar e compor?

Mallu - Comecei com uns 11, 12. Por aí.

Urbanaque - O Brasil não possui muita tradição no folk, e agora começam a aparecer bons nomes como o Vanguart, The Dead Lovers Twisted Heart, Bad Folks, você acredita estar fazendo parte de um novo movimento, que pretende escrever a história da música folk brasileira?

Mallu - Seria mais que uma honra: eu amo o Brasil, eu amo o Folk. Se depender de mim, embarco nesta descoberta com estes gênios, que já estão escrevendo esta história.

Urbanaque - As músicas que estão em seu Myspace são todas em inglês. Você possui músicas em português? Porque a escolha da língua inglesa na hora de compor?

Mallu - Sim. Eu uso muito a língua inglesa porque para mim é como uma máscara: eu falo, mas não digo assim, no ato. Mas é mais difícil, mais demorado, tenho que usar um dicionário de inglês e etc. Tenho umas três músicas em português, umas delas lançaremos em breve, a “Vanguart”. A outra, “Letrinhas dos Jornais” também vem vindo!

Urbanaque - O Vanguart começou apenas com canções em inglês e agora tem feito suas melhores músicas em português, se aproximando cada vez mais da música brasileira. Você acha que esse é um caminho a ser seguido? Tem algum artista brasileiro que te inspira?

Mallu - Acho que sim, é um caminho. Eu vou seguir o que eu faço: inglês e português, sem regras ou limitações, obrigações. Eu acho que é isso o folk: livre. Livre para gostar, e tocar, e compor, e cantar; seja João Gilberto, seja Mutantes, seja Gil, seja Caetano, seja Cazuza, seja Vanguart.

Urbanaque - Além de cantar você pinta, desenha, e fotografa. De onde vem tanta inspiração e energia? Você é hiperativa (risos)?

Mallu - Hahaha! É , eu sou bem agitada! Eu gosto mesmo é de ser eu: ter meu canto, ter meu jeito. Ter além de tudo, ali por perto, o meu mundo ‘folk-contente’. Acho que isso é a fonte: é a arte alegre do folk, e do estilo de cada um.

Urbanaque - Depois do show com o Vanguart você conseguiu chamar atenção de muita gente. Quais são seus próximos planos? Vi que já tem três shows agendados em São Paulo em fevereiro, já recebeu proposta pra tocar em outras cidades?

Mallu - Tenho planos de shows e também gravações, seguidos por um clipe. Já recebi convites do Rio, Belo Horizonte, mas acho que devemos ter um pouco de calma, mas um passeio pelo Brasil está nos planos, talvez um pouco distante, mas está.

Urbanaque - Com esse espaço que você tem conseguido na mídia, como você vai fazer pra conciliar a escola com a carreira artística?

Mallu - Bem, acho que agora que dar uma sossegada, mesmo se não mudar muita coisa, o meu objetivo é o equilíbrio. E o pessoal é bem compreeensivo, sabem da minha idade.

Urbanaque - Seu sucesso veio durante as férias escolares. Como você acha que seus amigos da escola vão te receber agora?

Mallu - Não sei, tomara que eles sejam legais. Estou bem curiosa para saber, mas acho que o pessoal não vai ter esse negócio de inveja, acho que eles nem vão saber o que andei fazendo.

Urbanaque - Já está preparando um disco ou EP? Tem previsão de lançamento?

Mallu - Sim, estamos esquentando. Acredito que em março teremos o material, mas eu sou meio ruim de conta e estimativa... eheheh.

* Myspace: http://www.myspace.com/mallumagalhaes