Propagando o amor
por BRUNO DIAS - 13/05/2008
(SÃO PAULO/SP) “Amor é o que mais falta no mundo hoje em dia, mais até do que água, petróleo, dinheiro e etc”, assim, o guitarrista Gustavo Benjão, do Do Amor, justifica a criação daquela que hoje pode ser considerada a banda mais criativa e animada (“Animação!”) do novo rock nacional.

O grupo nasceu após o término do extinto grupo carioca Carne de Segunda, que além de Benjão trazia o guitarrista Gabriel Bubu (que desempenhava a função de baixista no Los Hermanos) e o baterista Marcelo Callado. Juntou-se aos três o baixista Ricardo Dias Gomes, tecladista do grupo carioca Brasov e um dos integrantes da banda de Caetano Veloso no disco Cê, ao lado de Callado.

Como deu pra perceber, experiência não falta ao grupo que consegue misturar ritmos regionais como carimbo, lambada e axé, ao indie rock. Essa mistura às vezes gera certa confusão aos mais desavisados, como aconteceu no festival Casarão, em Porto Velho (RO).

O Do Amor tocou em meio a uma série de bandas de hard core e metal, tirando gritos de “Chimbinha!” da molecada local, que no final das contas acabou cedendo ao swing de músicas como “Isso é carimbo” e “Perdizes”.

Do Amor – “Isso é carimbo” @ Casarão 2008


Com apenas um EP lançado e uma série de bootlegs e vídeos de apresentações circulando na internet, o Do Amor se prepara para entrar em estúdio e gravar seu primeiro álbum. Enquanto isso, o Urbanaque conversou com o guitarrista Gustavo Benjão, que falou sobre os divertidos shows do grupo, Pepeu Gomes e as expectativas sobre o lançamento do primeiro disco.

Urbanaque - Quando vocês vão fazer a versão definitiva de "Pepeu baixou em mim"? Se é que algum dia vai existir essa versão.

Gustavo Benjão - Pepeu tem uma versão que está mais do que consolidada e tocamos sempre nos shows. Outras versões podem até surgir, não estamos fechados pra isso.

Muitas músicas que vocês tocam nos shows são do Carne de Segunda. O Carne de Segunda ainda existe? Quais dessas faixas estarão em um futuro disco?

O Carne de Segunda acabou. Não sei dizer ao certo que músicas daquela época, e que tocamos hoje em dia, podem entrar em um disco do Do Amor.

Quando vocês pretendem lançar um disco?

Esse ano ainda!

Do Amor – “Pepeu baixou em mim” @ Studio SP


Todos possuem projetos paralelos, isso não dificulta um pouco na hora de marcar os shows? Como vocês fazem pra conciliar as agendas?


Dificulta às vezes, mas estamos acostumados e conseguimos nos virar bem com isso. Muitas vezes estamos juntos em outros projetos, o que facilita organizar as datas possíveis pra todos.

Como vocês definiriam o som do Do Amor?

Sempre Livre!

O Pepeu já ouviu a homenagem de vocês a ele?

Eu entreguei um CD pra ele, na época do Carne ainda, com a música e o Pedro Baby, filho dele, já me falou que ele gostou. Nós gostaríamos de mostrar a versão Do Amor pra ele. Alou Pepeu!

Do Amor – “Chalé” @ Casarão 2008


Os shows, pelo menos os dois do Studio SP, sempre dão impressão de descontração e um certo deboche. É sempre assim? A idéia é sempre se divertir acima de tudo?

Eu não sei. Nós não pensamos em se divertir acima de tudo, isso vem naturalmente, pois gostamos do que fazemos. Mas esse lance do deboche é uma interpretação. Nós levamos a sério toda e qualquer referência que temos e de fato somos nós ali tocando e cantando, não tem um personagem não. De fato rola uma descontração e isso eu acho que vem do fato de nos sentirmos a vontade fazendo aquilo ali.

Ainda sobre os shows, sempre rolam versões inusitadas que vão de Pinduca a Tears For Fears. No Studio SP mesmo, juntamente com Max de Castro, rolou "Reggae Nights", do Jimmy Cliff. Quem escolhe essas versões? Vocês já vão pro show pensando em tocar essas músicas ou rola na hora?

Nós escolhemos as músicas e fazemos os arranjos nos ensaios. Rola um estudo sério de cada música pra ver aonde podemos mexer nela. Tem uma pilha de desconstruir e reerguer as estruturas de cada música de um jeito nosso.

Fale um pouco de como a banda começou, porque vocês resolveram criar o Do Amor? Tava faltando um pouco mais de amor no mundo?

Nós já tocávamos juntos em outros trabalhos, além do Carne de Segunda. Quando o Carne acabou rolou um hiato, mas todos nós continuávamos a compor, então foi natural um dia nos reunirmos e fazermos a banda. Como diria Nelson Rodrigues: "Estava escrito nas Estrelas!". Amor é o que mais falta no mundo hoje em dia, mais até do que água, petróleo, dinheiro e etc.

Do Amor – “I Picture Myself/ Perdizes” @ Studio SP


Esse lance de vocês com ritmos como axé, carimbo, e coisas mais brasileiras vem de onde? Quando vocês descobriram esses ritmos e porque resolveram incorporá-los no som do Do Amor?

Todos nós sempre nos interessamos pelos mais variados estilos de música.Tanto daqui quanto de fora.

São Paulo meio que se tornou obrigatório pra vocês, todo mês tem pelo menos um show da banda por aqui. Vocês querem acabar com a famosa rixa entre cariocas e paulistanos através do amor?

Só o amor constrói! E eu não acredito nesse lance de rixa o que existe é uma cambada de babaca pelo mundo que quer de alguma forma se afirmar em cima do vizinho. E a mídia ainda instiga isso!

Fale um pouco sobre o único registro oficial do grupo, o EP. Vocês ficaram satisfeitos com o resultado? A impressão que dá ao ouvi-lo é que a banda gravou as pressas, rolou isso?

Esse EP foi a primeira coisa que fizemos quando decidimos formar a banda. Eu acho que é um ponto importantíssimo na vida da banda apesar do resultado ter ficado aquém do que gostaríamos. Nós gravamos em cinco dias, foi um pouco corrido, mas foi importante pra dar uma pressão no ritmo.

Do Amor – “Shop Chop/I Picture Myself” @ Casarão 2008


Alguns registros ao vivo de vocês meio que substituíram o valor do EP pra quem gosta da banda, talvez por trazer mais faixas e apresentar o que a banda é realmente. O que vocês acham dessa propagação "pirata" do Do Amor? Gostam do "bootleg" gravado no Humaitá Pra Peixe?

Eu gosto muito, quando tivermos um disco tomara que a coisa continue se propagando. Seja pelo meio que for o importante é divulgar a banda por aí a fora.

Quais os próximos planos da banda?

Gravar um disco e viajar muito!

* Fotos e vídeos: Bruno Dias.