Para um festival que já trouxe nomes relevantes como Franz Ferdinand, Art Brut e Eagles of Death Metal, considerados “next big things” da música jovem e contemporânea, a versão 2008 do Motomix deixou a desejar. O evento realizado no Parque do Ibirapuera, apostou em nomes saídos das profundezas do indie, como Fujiya & Miyagi e Metric como headliner (?!), além do Go! Team que roubou a cena, meio que justificando o fato de a entrada ser franca – estimado em 6 mil pessoas.
Como de praxe, as bandas selecionadas através do concurso "Novos Sons", na página do festival, abriram o evento que começou com um aquecedor sol de inverno. Com o público ainda bem tímido, os campineiros do Venus Volt ficaram com a ingrata missão de iniciar a tarde. Em seguida, o bem alinhado trio paulistano Stop Play Moon, apresentou uma insossa mistura de indie rock com electro e por algumas vezes trip hop, mais calcada na figura da vocalista e modelo Geanine Marques do que na música.
A última a terminar a etapa tuipiniquim foram os brasilienses do Nancy. Incensados na última semana pela mídia, eles atraíram boas reações do público, com o seu som que podia ser definido com uma espécie de Ludov cantando em inglês, se é que vocês me entendem.
Fujiya e Miyagi
Os ingleses do Fujiya e Miyagi, ajudados por uma providencial queda de temperatura provocada pelo fim da tarde, iniciaram as atrações principais e fizeram um show dançante e paradisíaco – vários casais aproveitaram o clima das músicas para dar uns malhos.
Mas a impressão final, mesmo a banda sendo bem competente, é que a primeira música, “Ankle Injuries”, tocou até o fim da apresentação, apenas com variações de rotação.
Fujiya e Miyagi - "Sucking Punch"
The Go! Team
As definições sobre a banda publicadas na imprensa eram de que faziam uma mistura sonora quase inclassificável, e o seu líder Ian Parton fazia questão de dizer que o grupo gosta de confundir e divertir o público. E foi isso que ocorreu no Parque do Ibirapuera no melhor show da noite.
A diversão foi comanda pela incansável vocalista Ninja que não parou de botar pilha na platéia um momento sequer. A confusão ficou por conta das loucas trocas de instrumentos entre os integrantes na pausa das músicas.“Grip Like a Vice” e “Keys To The City”, hits do último álbum Proof Of Youth (2007), foram as mais cantadas pelo público.
The Go! Team - "The Wrath Of Marcie"
Metric
Para ter uma noção de como anda diluída a cena indie, uma banda “tecnicamente” desconhecida do “grande público indie” foi escolhida para fechar a noite. Com cinco discos lançados, e acostumados a freqüentar (em posições intermediárias) as listas de melhores discos de várias publicações descoladas, os canadenses do Metric tem na doce voz da bela Emily Haines – vestida num conjuntinho de enfartar safenado – seu maior atrativo. Porque a sonoridade da banda não passa do velho indie rock “feijão-com-arroz”.
Mas mesmo assim eles mostraram ter um cativo grupo de fãs que se esgoelaram desde “Dead Disco”, a primeira do show. Foi uma apresentação burocrática, fria no começo, mas em “Monster Hospital” e “Live it Out”, que fecharam o show, foram o suficiente para deixar boa parte do público satisfeito – ou seja, os fãs, porque uma minoria preferia conversar ou dançar, sem dar muita atenção para o que ocorria no palco.
Metric - "The List"
Agora fica a esperança de que no próximo ano o Motomix resgate o título de festival inovador, o qual sustentou há não muito tempo atrás. E que continue gratuito, essa sim, uma grande inovação desta edição 2008.