(SÃO PAULO/SP) - Coloque Como Num Filme Sem Um Fim, o excelente novo álbum dos gaúchos do Pública para ouvir e tente enumerar as inúmeras referências que vão surgindo. Mas se você estiver com preguiça de pensar, Pedro Metz, vocalista e compositor da banda, lhe explica tintin por tintin como o disco é:
1 - "Quarto das Armas"
Em 2007 a Trama nos convidou para gravar uma música inédita para aquele programa que eles tinham no Multishow (Doze Horas no Estúdio). Estávamos em turnê de divulgação do Polaris. Eu tinha duas músicas prontas, sem letra, e mostrei pro Guilherme (baixo) e pro Guri (guitarra) e eles na hora se interessaram por “Quarto das Armas”. Terminei a letra praticamente dentro do estúdio. É uma música forte e que pra mim pode ser interpretada de várias maneiras. Marca uma certa mudança na nossa sonoridade, o que se concretiza ao longo do disco.
2 – "1996"
Meu pai morreu dia 20 de junho de 1996, portanto um dia antes da entrada do inverno. A letra traz referências a este fato e presta uma homenagem ao ano, que foi tão importante na minha vida pelas questões musicais, por algumas frustrações pessoais e principalmente pela perda dele. Foi das últimas músicas a entrar no disco. Tem uma parte final diferente do restante da música, onde inicialmente iríamos encher de cordas. No final acabamos optando por um cello discreto.
3 – "Canção de Exílio"
Pela primeira vez o João Amaro (pianista) canta como vocalista líder. Composição dele, que foi entrando timidamente nos ensaios. Música dançante, groove fortíssimo e com letra irônica/nostálgica sobre um período da vida dele. Tem uma parte final instrumental, um dos pontos altos do disco, e que tem participação do Gabriel Guedes, guitarrista do Pata de Elefante.
4 – "Casa Abandonada"
Era para ser Casa Colorada, pois fomos convidados para fazer uma música para o glorioso Colorado. Mas o CD do Internacional não saiu e tínhamos esta música pronta e com grande potencial para ser um hit. Mudei a letra e acrescentamos sopros para dar uma levantada no refrão. Será o primeiro clipe, gravaremos dia 4 de fevereiro. Em uma das rádios locais já é hit. Oba!
5 – "Vozes"
A mais pesada e simples do disco. Guitarras gavetão no talo. Chamamos ela de “a nossa Buzzcocks”. Letra esquizofrênica, ótimos backing vocals e arranjos. Essa é pra quem saca!
6 – Sessão da Tarde
Música ensolarada, como os verões portoalegrenses. Arranjos de sopros são um dos destaques da faixa. A letra é sobre estar entediado na sala de aula e querer sair para curtir com os amigos, roubar doces no armazém, correr por aí. Sem preocupações, pois somos crianças. Demorei muito tempo pra concluir esta letra e acho-a especial.
7 – "Há dez anos ou mais"
Fomos convidados para fazer uma música para um longa metragem, produção Brasil/Argentina. O filme ainda não saiu. Música pop de primeira, provável segundo single do disco. Tive acesso ao roteiro e fiz algumas referências à vida da protagonista. Tem um riff de piano matador, coisa linda de se escutar.
8 – "Como num Filme sem um Fim"
Começa na música título a parte mais conceitual e sombria do disco. É a música mais antiga que entrou, apesar da banda só ter ensaiado e arranjado ela dias antes da gravação. Não queríamos nome de música como título, mas não achamos nada melhor e optamos em promovê-la. Tem arranjo de cordas composto pela gente e pelo Fruet (produtor junto com a Pública). Ela vai crescendo do começo ao fim, com uma letra meio existencial. Curto muito uns cellos do final que ficam “groovando”, uma coisa meio Ian Brown.
9 – "Último Andar"
É difícil dizer que uma música é a tua preferida, mas essa é pra mim a coisa mais foda que já fizemos. Gosto de tudo. Acho ela estranha e pop ao mesmo tempo. A letra é vaga na estrofe, mas com muitas imagens. No refrão a letra é raivosa e dolorida. Tem um solo de guitarra no final que “deusmelivre”!. Pianos Hitchcock. Demoramos bastante pra achar o baixo/bateria dela, que é uma coisa meio “Billie Jean”, mas quando achamos, sentimos que era uma música que ditaria a ênfase rítmica à parte desse segundo disco.
10 – "Justiceiro"
Música com uma estrutura diferente, cheia de solos estranhos e “pinkfloydianos”. Composição minha, do Guilherme e do Guri. Tem uma partezinha da melodia do refrão que lembra “El Justiciero” dos Mutantes. Por isso fiz a letra em cima disso.
11 – "Luzes"
Queríamos ter uma música com uma parte instrumental elaborada, tipo “Marquee Moon” do Television. Ensaiamos durante longos meses, compondo e organizando a parte final. É uma música bem louca, o encerramento de disco que queríamos. O estranho disso tudo é que “Luzes”, “Justiceiro”, “Último Andar” e “Canção de Exílio”, faixas mais ‘lado b’, foram as primeiras a serem arranjadas. Ao longo do tempo fomos colocando algumas canções mais pop para equilibrar. É bom dizer que ela é a única que foi gravada ao vivo - menos o vocal e os backings que foram feitos depois.
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