O brejo psicodélico
por LEONARDO DIAS PEREIRA
(SÃO PAULO/SP) - A terceira etapa do projeto Supernovas provocou uma metamorfose no teatro do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Nas paredes que rodeiam o local, cresceram plantas trepadeiras que chegavam até o teto, enquanto onde originariamente ficava o palco, um pequeno lago se abriu donde se via do alto de suas vitórias-régias cinco sapos psicodélicos coaxando e hipnotizando a platéia.

Ao menos por um longo fechar de olhos essa era a impressão que os cariocas do Supercordas proporcionaram: a de um brejo psicodélico, de céu esverdeado e barulhos enigmáticos – principalmente em “Frog Rock”. Viagens à parte – já basta a sonoridade impar que a banda tem – o fato é que o Supercordas fez um dos melhores espetáculos do evento.


O início foi bem enigmático, com o baterista Wakaplot marcando o bumbo como se fosse uma batida cardíaca. Logo em seguida, o guitarrista Giraknob, empunhando um theremim, deu início ao show de sons estranhos e amórficos.

Assim que todos os componentes adentraram o palco, e a incursão instrumental terminou, os primeiros acordes de “A Charneca” encheram o ambiente. Mesmo sem os teclados psicodélicos que embasavam a maioria das músicas de Seres Verdes Ao Redor - Música para samambaias, animais rastejantes e anfíbios marcianos, a banda consegue compensar a execução ao vivo com muito peso nas guitarras e um entrosamento cúmplice.

Mas o momento mais esperado – que é a marca registrada do Supernovas – era a entrada de Fernanda Takai do Pato Fu. Bonifrate, vocalista da banda, em momento de “franqueza”, apresentou a mineira como um dos poucos artistas que o Supercordas realmente gostam no Brasil.
Fotos: Bruno Dias
Fernanda Takai com seres verdes ao seu redor
Apesar da aparente dissonância das vozes, e de alguns erros já esperados, “Sobre o Frio” e a viajadíssima “Ruradélica” ganharam um toque especial e emocionado – principalmente pelos rapazes da banda.

No fim da apresentação, o protocolo do evento, que vem primando pelo profissionalismo e pontualidade inglesa, foi quebrado com a platéia aclamando por um bis. E não teve jeito, a voz do povo (mesmo que reduzido) manda. A banda retornou com Fernanda Takai e mandou de novo “Ruradélica” para deleite de todos. E o brejo psicodélico voltou a ser um simples teatro.