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Discotecagem rock´n´roll
por BRUNO DIAS
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(SÃO PAULO/SP) - Em nova fase com o projeto MixHell, Iggor Cavalera (ex-baterista do Sepultura), se prepara para tocar no Skol Beats, ao lado de Laima Leyton. Os dois comandam as pick ups do MixHell, e falaram com o Urbanaque sobre o show que farão no próximo sábado, dia 5 de maio, no Skol Beats. Na mesma conversa Iggor contou como foi tocar outra vez com seu irmão, Max Cavalera, e aproveitou para desmentir os boatos de uma possível nova banda dos Cavaleras.
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Urbanaque - Queria que vocês falassem sobre o MixHell.
Iggor Cavalera - O projeto começou meio que de brincadeira, de convite de amigos pra discotecar. Aí teve um convite pra eu fazer junto com a Laima, no Milo Garage, que é um lugar que a gente adora aqui em São Paulo. Discotecamos juntos, rolou uma puta química, foi legal pra caralho, e depois disso a gente começou a tocar em outros lugares do Brasil. Chegamos a tocar em Los Angeles, Nova York. E aí começou a parte de produção, da gente começar a fazer vários remixes pra tocar também. E agora surgiu esse convite do Skol Beats que é uma coisa que não esperávamos.
Laima Leyton - A gente estava sendo agenciado e tocando em vários lugares. Estávamos impondo um estilo que é meio diferenciado, e o pessoal falando “Ah, o Iggor mudou do rock pra música eletrônica”, o que eu acho que não é bem assim. Acho que é uma evolução da música, porque você pega algumas bandas de música eletrônica que têm uma pegada de rock muito grande. O Justice é assim, tem uma pegada que chega a lembrar a pegada que o Sepultura tinha no começo.
Urbanaque - Tipo o Simian Mobile Disco também...
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Fotos: Divulgação/ www.myspace.com/mixhell |
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Iggor e Laima discotecando no Milo Garage |
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Laima – Tipo o Simian. Adoramos o Simian, eles tocam depois da gente no Skol Beats. Foi o Iggor que indicou.
Iggor – Eu meio que fiz parte da curadoria do Skol Beats. Foi uma coisa legal, alguns nomes que a gente falou que achava interessante tocar eles chamaram, tipo o MSTRKRFT que são amigos nossos. Nós os vimos em NY, e acabamos virando amigos. Fizemos inclusive um remix de uma faixa deles, “Easy Love”, que vai sair num disco só de remix deles. Tanto eles como o Simian foram nomes que a gente jogou lá.
Laima – Os dois possuem aquela pegada que eu falei do rock, então não tem essa coisa de “Ah, mudou de estilo”. Acompanhou uma evolução, hoje é muito mais rock você fazer uma coisa que o Justice faz do que uma banda de metal faz.
Urbanaque - E essas produções? Vocês estão fazendo mais remixes ou coisas autorais?
Iggor – As duas coisas, tudo ao mesmo tempo, e esse tempo tem ficado cada vez mais escasso. Estamos sem dormir, andamos com um computador pra todo lado, editando música fazendo um monte de coisa.
Laima – Esse é um mundo paralelo, um monte de gente faz isso. De repente você se vê falando com essas pessoas, e acaba só falando disso.
Urbanaque - Vai pegando influências, trocando figurinha...
Laima – É. Você vai falando do plugin não sei o que, do sintetizador que fica melhor no estúdio. Estamos super curtindo essa parte. Atualmente estamos fazendo mais remixes, porque gostamos de refazer todas as músicas pra tocar. Ao mesmo tempo tivemos uma surpresa, há um tempo atrás, um dois meses, o DJ Hell, que é um cara que faz musica eletrônica há 30 anos, convidou a gente pra fazer uma track com ele. Gravamos umas baterias do Iggor e ele incorporou na música eletrônica, foi uma coisa super bacana. Pra gente foi uma honra conviver com um cara como ele, que é uma bíblia da música eletrônica. E pra ele também foi muito legal incorporar umas coisas de rock do Iggor.
Urbanaque - Essa faixa já está na internet?
Iggor – O Hell é engraçado por isso, ele vai pirando. Como ele tem a gravadora, então ele tem várias idéias. O lance principal quando começamos, era de tocar. Então já mandamos essa track pra alguns amigos nossos como 2manyDjs, que já vão começar a tocar. Mas ainda estamos mexendo nela, essas mudanças não vão acabar até o Hell decidir lançar ela de alguma forma. E depois ela vai sofrendo mutações.
Laima – Ela é uma track muito longa, tem mais ou menos uns 8 minutos. E parece um mini mix, porque fomos nos empolgando: “vamos mudar dessa parte pra essa, e tal”. E quando a gente foi ver já tinha quase um mini disco pra tocar. E o pessoal vai fazendo versões novas. O Anderson Noise foi lá em casa e falou: “gosto dessa parte”. E pegou essa parte e levou embora. Então a gente tem essa miscelânea. Eu acho que ela vai sair de um outro jeito, na versão do Anderson Noise. A gente espera fechar logo a nossa versão, só falta acertar umas paradinhas com o Hell. Logo vamos disponibilizar essa faixa.
Urbanaque - Além do Mixhell você tem feito mais alguma coisa na parte do metal?
Iggor – Na verdade nem fazia parte dos meus planos fazer o que estamos fazendo agora. Em termos de banda não tenho interesse nenhum em voltar a tocar. Ultimamente só tenho feito participações, que eu acho mais interessante, tipo essa que eu fiz com o Montage [no projeto Supernovas]. É uma banda que já tocou junto com a gente, eles tocaram no Glória, onde nós temos uma noite. E chamar a gente pra tocar com eles é bem legal, saber que tem um pessoal lá em cima fazendo um som diferenciado. É bem legal.
Urbanaque - Você chegou a fazer uma participação em um show do Soulfly, com o Max. Fale um pouco sobre como rolou isso.
Iggor – Na verdade tínhamos ido pra Phoenix (EUA) fazer um encontro familiar, tinha muito tempo que eu não via meu irmão. Eu sempre tava em turnê com o Sepultura e não dava tempo. Aí a Laima virou e falou “vamos pra lá” e já comprou as passagens. A parte de tocar com meu irmão foi muita coincidência, eu ir pra lá e estar rolando esse show. Aí ele chegou e falou: “Meu, vamos lá pro show”. E acabou chegando no show e ele falou vamos tocar, e eu disse vamos. Uma coisa que eu queria fazer lá era que a Laima conhecesse meu irmão e meus sobrinhos, os dois menores principalmente. A Laima via foto deles e passava mal. E a intenção era essa e vai continuar sendo essa, não vai rolar de eu voltar a tocar em uma banda com meu irmão ainda.
Urbanaque - Depois disso rolaram muitos boatos de uma nova banda sua e do Max.
Iggor – É. Chegaram até a inventar nomes, tipo Cavaleras e tal. E eu não tô sabendo de nada disso não.
Laima – Nesse dia que o Iggor tocou com o Max era um show beneficente que custava tipo um dólar pra entrar. Então tinha muita gente, e muita gente do metal.
Urbanaque – Existe algum registro disso?
Iggor – Como ninguém esperava, a única pessoa que conseguiu gravar isso foi a Laima.
Laima – Só que aí eu fiz uma cagada. Eu filmei e fui passar pro computador. Só que eu tinha acabado de comprar o computador e passei tudo em baixa qualidade e deletei da câmera.
Iggor – Até tem uns vídeos legais pra caralho, mas não vamos divulgar. É só pra mostrar pra minha mãe (risos). Já rolaram várias propostas pra gente colocar isso no youtube, mas eu falei nem fodendo. A gente só vai mostrar pros nossos amigos.
Urbanaque - Além do show do Skol Beats, quais os próximos compromissos?
Iggor – A gente está fazendo vários remixes, terminamos o do MSTRKRFT, que já está disponível no nosso MySpace (www.myspace.com/mixhell). Aí vamos fazer o Skol Beats e tem mais várias datas no Brasil. Depois vamos pra Europa fazer uma turnê com o Soulwax. Vamos ficar umas duas semanas aqui no Brasil após o Skol e depois vamos pra lá tocar com vários ídolos nossos o Erol Alkan, o Daft Punk. Vai ser do caralho, estamos curtindo muito esse momento.
Serviço:
Skol Beats (com MixHell, Simian Mobile Disco, MSTRKRFT, Bonde do Rolê, Afrika Bambaataa e outros).
Entradas: (Compra até 03/05) Normal: R$ 120,00 por dia;
Estudantes: R$ 60,00 por dia.
(Compra até 03/05) Normal: R$ 200,00;
Estudantes: R$ 100,00. (No dia) Normal: R$ 140,00;
Estudantes: R$ 70,00.
Não haverá venda de passaporte nos dias do evento.
São Paulo (11) 2162-7250. Outros Estados (11) 2162-7250.
Venda somente de 1 (um) ingresso, mediante apresentação obrigatória da carteira de estudante e RG original do titular. Na entrada do evento também é obrigatória a apresentação da carteirinha e identidade original. Até 10 ingressos por pessoa. Mais detalhes aquii>.
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