Final intenso
por LEONARDO DIAS PEREIRA
(SÃO PAULO/SP) - Eis que o projeto Supernovas, que tinha como mote mapear o “novo pop” brasileiro, chega ao seu fim, com a apresentação de uma das bandas mais incensadas pela crítica e público da atualidade: os cuiabanos da Vanguart.

Liderados pelo pequeno gigante Hélio Flanders, dono da voz com maior alcance e variações de timbre do indie brazuca, o grupo comprovou em um set de 21 músicas todo o falatório e expectativa que os circula, mesmo antes de lançarem o primeiro álbum completo, previsto para julho.

Para iniciar a apresentação, a banda mostrou em primeira mão “Mojica”, canção feita especialmente para o padrinho do evento, o insuperável José Mojica Marins, nosso Zé do Caixão. Terminada a música, o próprio Mojica em carne-osso-sem-unha-gigante, adentrou ao palco para soltar algumas de suas maldições e fazer um “merchan” básico de seu próximo filme.

O clima ficou meio pesado, mas Hélio logo emendou “Hey Yo Silver” pra dar uma desembaçada no ar e lembrar a galera que o esquema que iria reinar era o fok-rock-cuiabano, nada de gótico.

Outra inédita, “Miss Universe”, veio em seguida, desta vez com o baixista Reginaldo e o guitarrista David apoiando Hélio nos vocais. Aliás, justiça seja feita, o sucesso da Vanguart não pode (e nem deve) ser credenciado apenas ao carisma de seu vocalista, mas sim pelo entrosamento do grupo e a extrema habilidade de David em lançar riffs rascantes de sua guitarra.

Fotos: Bruno Dias
Johnny Richards é do piru!
Empolgados com a boa recepção do público os Vangs mandaram música seguida de música de forma intensa. A seqüência “Spanish Woman”, “Los Chicos de Ayer” (uma das mais belas canções da banda, que também fará parte do primeiro CD), “Para abrir os olhos”, o hit “Semáforo”, e “Rainny day song” foram suficientes para arrebentar uma corda do violão de Hélio. Em conseqüência, causou um dos grandes momentos do show: uma versão improvisada (e bem executada) de “My Funny Valentine”.

Fora apresentar bandas de variados estados brasileiros, a marca registrada do Supernovas era promover um diálogo entre artistas consagrados com os novos. E o escolhido pelos cuiabanos foi João Ricardo, um dos cabeças do Secos e Molhados, que, por seus trejeitos e a indumentária infeliz (uma camisa de pijama ornando com uma vistosa calça de couro – rock’n roll? sei não!), parecia que foi chamado por um maluco qualquer em sua casa pra fazer um “rocks”. Impressão quase confirmada quando João cantou (mal, bem mal) “Cachaça” com a letra na mão.

Clássicos do Secos e Molhados como “Primavera dos Dentes”, “O Patrão Nosso de Cada Dia” e “Mulher Barriguda” só não foram cuspidos e pisados pela voz de “Seu Peru” de João Ricardo graças a competência da garotada que segurou bem a onda. Se ao menos o Ney Matogrosso fosse mais acessível...

Mas apesar dessas trapalhadas todas, a galera nem chiou tanto, porque ao menos João Ricardo é bem simpático e “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” pra encerrar a apresentação compensou tudo.

Alex Antunes, curador do evento, em conversa informal com a equipe do Urbanaque garantiu que esforços não faltarão para que o Supernovas ganhe uma nova edição ano que vem. Estamos esperando ansiosamente.