Esbanjando modernidade
por CIRILO DIAS
(SÃO PAULO/SP) - A 10ª edição do Resfest escolheu o charmoso prédio da Cinemateca Brasileira como hospedeira da mistura pop e tecnologia. A programação estrategicamente distribuída pelos ambientes da Cinemateca permitiu aos visitantes desfrutarem (e perderem também) de videoclipes de bandas, palestras, curtas, longas e para coroar o final de cada dia, atrações gringas. Tudo com algum toque de tecnologia.

Na sexta-feira, o longa Beijing Bubbles (Alemanha/China) e o show de My Brightest Diamond (Nova Iorque, EUA) não foram suficientes para atrair o público. O ambiente estava tão tranqüilo, que Miho Hatori circulava calmamente sem ser incomodada. Quem resolveu não ir ao Resfest, perdeu a ótima apresentação dos americanos. Shara Worden - guitarrista e dona da voz lírica que hipnotizou alguns fãs - foi acompanhada pelo baixista Nate Lightgow e o baterista Dave Berger na tarefa de inaugurar o palco da cinemateca. Apesar da timidez aparente, Shara dominou a platéia ao soltar a voz em “Dragonfly”, e nas covers “Feeling Good” de Nina Simone e “Hymme à l´Amour” de Edith Piaf (escolhida por Shara após ouvir a versão de Jeff Buckley).

Apesar do frio intenso que resolveu dar as caras no sábado, o público compareceu em peso. Todos os ambientes lotados e sessões de cinema com filas intermináveis – que fez atrasar em uma hora toda a programação. Para aquecer o público, o My Brightest Diamond fez uma apresentação de meia hora – que teve mais energia e recepção do público do que na noite anterior – e a cover dessa vez foi o de "Tainted Love", do Soft Cell.

Miho Hatori já tinha uma legião de fãs à sua espera. E ao subir ao palco, seguiu à risca o “manual do gringo” e tentou algumas palavras em português. Que foram prontamente respondidas pela platéia. O show foi baseado em seu primeiro CD solo, Ecdysis. Músicas como “Barracuda”, “Sweet Samsara”, e “Miss Information”, animaram os presentes. Com várias interrupções para explicar a história de cada música, Miho ia conquistando cada vez mais o público. Um momento de grande euforia aconteceu quando ela fez uma versão cover de “Heart of Glass” do Blondie.

Fotos: Bruno Dias
Shara Worden, do My Brightest Diamond
O curioso foi a cantora japonesa subir ao palco para tocar um misto de forró, com música eletrônica e se declarar fã de Luiz Gonzaga [influência apresentada pelos amigos do Forro in The Dark], devidamente homenageado com uma versão em japonês de “Paraíba”.
Fim do show, um belo sorriso nos presentes, e Miho Hatori esbanjando simpatia e conversando com uma roda de fãs que se formou na beira do palco. O último dia contou com uma retrospectiva de clipes do Radiohead, a apresentação do documentário sobre o punk no Brasil, Botinada, de Gastão Moreira, e para fechar, o show gringo com o folk esquizofrênico do Akron/Family.

Apesar da estranheza inicial causada no público, a simpatia e presença de palco dos americanos conseguiram contagiar os presentes. Era uma acapella no palco, palmas do público para acompanhar, mantras entoados por todos e a banda mostrando que mesmo sendo esquisitos, eles conseguem contagiar por onde passam.