O frio paulistano
por LEONARDO DIAS PEREIRA
(SÃO PAULO/SP) - A frieza do público paulistano é realmente implacável. Não poupou sequer Lucio Maia, guitarrista da Nação Zumbi, a mais paulista das bandas de Pernambuco. A choperia do Sesc Pompéia até que estava cheia para conferir o lançamento de Homem Binário, primeiro álbum de seu projeto solo Maquinado.

A banda de apoio com Dengue no baixo e Toca Ogam na percussão, parceiros de Nação Zumbi, e o DJ BG do Mamelo Sound System soltando as bases e o palco sóbrio, todo de branco, deram um clima. Mas a platéia parecia estar mais interessada nas opções etílicas do local – até a terceira música do show a fila do bar estava infindável. Nem mesmo aos chamados incessantes de Lucio Maia o público atendia. Dizer que a estranheza do público com as músicas instrumentais foi a responsável pelo gelo seria o mais óbvio. Mas nem mesmo quando Rodrigo Brandão (em visual Kojak-intergalático), MC do Mamelo Sound System, subiu ao palco para cantar “Eletrecotado”, sua participação no álbum, fez com que a patota descolada reagisse. Bem que ele tentou. Gritou, chamou sua parceira Lurdez da Luz pra cantar “Gorila Urbano” (música do MSS), e nada.

Lúcio Maia ainda mandou umas covers à lá Maquinado de “Computer Love” do Kraftwerk, mais algumas de Serge Gainsbourg (aquela, claro) e Nelson Cavaquinho e a galera de repente esboçou uma reaçãozinha.

Só que a razão do lugar ter enchido não foi o chope gelado e os petiscos do Sesc Pompéia, tampouco a oportunidade de presenciar o lançamento do bacanudo Homem Binário. Quando foi a vez de Jorge Du Peixe mandar a sua participação, em “O Som”, o coro de aclamação ecoou pelo local e finalmente rolou uma sintonia. Vai ver pensaram que era um show da Nação Zumbi. Não dá pra pensar em outro motivo para a falta de reciprocidade.

Fotos: Pio Figueiroa/ divulgação