|
|
 |
Indies fofinhos
por BRUNO DIAS
|
(SÃO PAULO/SP) - O Indie Rock Festival, realizado nos dias 25 e 26 de julho no Circo Voador, Rio de Janeiro, e nos dias 26 e 27 de julho, no Via Funchal, São Paulo, trouxe ao Brasil duas bandas que ainda não tinham tocado por aqui – The Magic Numbers e The Rakes.
A proposta do festival também era mostrar o indie brasileiro. No primeiro dia em São Paulo, quinta-feira, 26 de julho, tivemos shows de Moptop e Hurtmold. No dia seguinte seriam Nação Zumbi e Móveis Coloniais de Acaju.
|
Os cariocas do Moptop tiveram a ingrata missão de abrir o evento, exatamente às 21h30. Conclusão: tocaram para os poucos que já haviam chegado, em sua maioria fãs da banda (isso explicava os sósias de Albert Hammond Jr. e Julian Casablancas andando pelo Funchal). Eles tocaram hits de seu primeiro disco como “O Rock Acabou” e “Paris”, esquentando o pequeno público em uma gélida noite paulistana.
Escalar o Hurtmold, que tocou em seguida, foi um dos muitos equívocos do festival (o maior foi a escolha do Via Funchal). Sem tirar o mérito dos músicos, que são muito bons, mas a noite já estava vazia, fria e colocar uma banda instrumental para tocar antes da principal atração, num festival dito para os “indies”, foi um pouco bizarro. O resultado: várias pessoas sentadas no chão conversando, e outras muitas a caminho dos bares e banheiros.
Eis que o grande show da noite começa – The Magic Numbers. Quando os fofinhos entraram o Via Funchal já contava com metade de sua lotação, pouco para um festival, mas tudo bem. Romeo Stodart (vocal e guitarra), Michele Stodart (baixo e vocais), Angela Gannon (vocais e muitos instrumentos), e Sean Gannon (bateria), abriram com a alegre “This is a song”, levando os fãs (maioria na platéia, cantando junto todas as músicas) ao delírio.
|
|
Fotos: Bruno Dias |
 |
| Fabrício Nobre tocando baladas?
|
|
|
|
Para manter o ritmo agitado engataram em seqüência “Take a Chance”, “Forever Lost”, até aparecer o primeiro grande hit – “Love´s A Game”, esse sim, cantado, esgoelado, e muito festejado pelos presentes.
A sincronia entre público e banda se seguia música após música, a única coisa que atrapalhava essa empatia era o som, que deixou em muitos momentos a linda voz de Angela Gannon rachada e estridente.
Alternando músicas de seus dois discos, The Magic Numbers (2005) e Those the Brokes (2006), aparece o primeiro cover da noite – “Baby”, de Caetano Veloso, imortalizada pelos Mutantes. Um tanto previsível, pois toda banda estrangeira (com exceção de Miho Hatori) que vem ao Brasil toca Mutantes. Mas os fãs nem ligaram, pelo contrário, ficaram mais loucos.
A doce voz de Angela Gannon foi um dos grandes destaques do Magic Numbers, principalmente em “I See You, You See Me”, uma pena o som estar desregulado. Empolgada com a recepção calorosa do público, a banda presenteou a galera com uma faixa inédita, “Fear Of Sleep”, que estará no EP a ser lançado em setembro. Quatro músicas encerrariam a primeira parte do longo show: “Slow Down” (com direito a cover de “Running Up that Hill”, de Kate Bush), “Undecided”, “Long Legs”, e “Love Me Like You”.
Como de praxe a banda se retirou do palco, mas voltou em seguida para o infindável bis, que começou com “Wheels on Fire”, cantada e tocada somente por Romeo Stodart, Michele Stodart, e Angela Gannon. Para levantar os ânimos, uma versão estendida de “Mornings Eleven”.
Para finalizar e coroar a boa apresentação em solo brasileiro, o momento mais animado e surpreendente da noite, uma versão de “Crazy in Love” de Beyoncé (causando estranhamento em alguns indies) seguida de “The beard” (música presente nos shows da banda), que acabou virando uma versão de "Nightrain", do Guns N' Roses. Por esse final ninguém esperava.
|
Brasileiros intimidam show do Rakes
por BRUNO DIAS
|
(SÃO PAULO/SP) - O segundo, e último, dia do Indie Rock Festival prometia, pelo menos no quesito bandas nacionais: Nação Zumbi e Móveis Coloniais de Acaju. As duas bandas serviram como abertura para os ingleses do The Rakes. Mas não foi bem isso que aconteceu.
Escalada de última hora (eles substituíram o Mombojó, que cancelou sua apresentação após a morte do flautista e trombonista, Rafael Torres) a Nação Zumbi subiu ao palco por volta das 22h.
|
Tocando para um público minguado, bem menor que do dia anterior, os pernambucanos mostraram porque são considerados o melhor grupo nacional da atualidade. Para quem já viu a Nação Zumbi, sabe que colocá-los como banda de abertura e com um som ruim, é crueldade.
Mesmo com esses fatores contra, a Nação Zumbi deu conta do recado com um show repleto de hits como “Macô”, “Rios, pontes e overdrives”, e “Maracatu Atômico”. Fazendo alguns indies dançarem.
Em seguida vieram os brasilienses do Móveis Coloniais de Acaju, talvez o segundo melhor show de todo o festival, perdendo apenas para o Magic Numbers nos quesitos empolgação e interação, isso porque eles eram ilustres desconhecidos para a maioria presente.
O repertório apresentando pelo Móveis foi quase todo tirado do primeiro CD, Idem (2005). Ver 10 pessoas no palco, se divertindo, pulando, rodando, fazendo coreografias diversas, contagiou o público. O que se viu foi um misto de alegria e surpresa.
|
| Fotos: Bruno Dias |
 |
| Sorry Alan, not this time... |
|
|
|
Músicas como “Perca peso”, “Seria o rolex?”, “Aluga-se-vende”, que em seguida proporcionou uma linda versão de “Glorybox” do Portishead, foram suficientes para colocar os fãs de Rakes para requebrar. Até uma música nova foi executada pelos brasilienses – “Cheia de manha”.
No final, como já é tradição nos shows da banda, uma imensa roda, puxada pelos músicos do Móveis que desceram do palco, foi feita no público. Os caras conseguiram a proeza de fazer os temidos indies paulistanos darem as mãos, e realizarem coreografias. Tudo isso ao som de “Copacabana”.
Está certo que a maioria das (poucas) pessoas presentes no Via Funchal estavam ali para ver o The Rakes, mas a tarefa de encerrar uma noite após os shows brasileiros não seria fácil. E não foi.
Aclamados e alçados como “the next big thing” do rock, o Rakes já havia perdido força com o lançamento de seu segundo disco, o meia-boca Ten New Messages (2007).
O vocalista Alan Donohoe até que se esforçou, dançou todo desajeitado, mexia os braços de forma enérgica, mas o que se viu foi um show agitado, porém à altura de uma banda do segundo escalão do indie mundial.
Alguns hits das pistas de dança paulistanas incendiaram o público: "22 Grand Job"; "Work Work Work (Pub, Club, Sleep)", essa com direito a invasão de palco; e "Strasbourg". Mas no geral o Rakes não fez nada que bandas daqui não façam, e algumas, como é o caso do Móveis, fazem muito melhor e com mais criatividade.
|
|
|
|