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Versão 2.(00)7
por MARIÂNGELA CARVALHO
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(SÃO PAULO/SP) - Demorou mas já aconteceu: agora é a vez dos anos 90 voltarem com direito a revivals de grandes bandas que figuraram na década passada. Agora é hora de na balada reviver grandes hinos de uma geração que não acabou, apenas se reciclou e se adaptou aos anos 00. É o caso de alguns dos ícones que superpovoaram a mídia ou se estabeleceram como primeiro escalão da música e entraram no dicionário da Cultura Pop. Os exemplos vão longe, e precisamos mencionar apenas alguns casos mais recentes: The Verve, RATM, Smashing Pumpkins (pelo menos uma parte dele), Spice Girls e No Doubt. Na onda de todos, quem volta também e já causa ansiedade é o Garbage.
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O quarteto formado pelos americanos e produtores-estrela Butch Vig e Steve Marker, mais o amigo Duke Erikson e a atormentada Shirley Manson, escocesa rock’n’roll exótica tipo A, deram uma bela balançada no rock e na eletrônica quando lançaram o primeiro disco, homônimo, em 95. Puxado pelos singles Stupid Girl, Queer e hits da MTV como “Only Happy When It Rains”, o primeiro trabalho ganhou até disco de platina e faixas como “Not My Idea” e “Vow” fazem dele um belo disco de estréia, com um toque voyeur ainda pouco explorado.
Não mencionemos nem mesmo a competência: o Garbage foi prata-da-casa desde a primeira impressão. Um dos primeiros rocks para se dançar já feito com bases eletrônicas, vocais não convencionais, um tanto de lúxuria e outros pecados, responsáveis também por elevá-los dentro do mundo pop. Mas, mais do que isso, eles foram das bandas mais modernas naquela época, causando equívocos ao chamá-los simplesmente de rock, ou resumi-los a eletrônica.
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Fotos: Divulgação |
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Já no segundo disco, emocional porém mais equilibrado, o Garbage ficou classudo e mostrou um trabalho de pós-produção ainda melhor. É só pegar o disco nas mãos: a textura futurista da capa já anuncia algumas novas voltas pelos conceitos do moderno. Version 2.0 começa eletrônico até o talo com “Temptation Waits” e passa por momentos tensos somo “I Think I’m Paranoid”, “Hammering in My Head”, “Dumb” e “Wicked Ways”. Sem contar que uma das melhores composições do grupo, “Push It”, é de bizarrice caótica única e altamente sensual, com Shirley Manson sussurrando “don’t worry, baby” e berrando “my head explodes and my body aches”, no entanto, as agridoces “Special” e “You Look So Fine” e a auto-confessional “The Trick Is to Keep Breathing”, dão uma leveza precipitada no clima.
Depois eles deram uns passos escada abaixo e lançaram o fraquinho Beautiful Garbage, em 2001. Das 13 músicas, apenas algumas são aproveitáveis, como “Shut Your Mouth” e “Til The Day I Die” - para dancefloors pegando fogo e fãs de scratches. Apesar de faixas como “Androginy” terem uma das melhores bases já feita pela banda, o disco não vingou. Faltou guitarra e sobrou corte de cabelo estranho.
Em 2005 eles retomaram um pouco do rumo e lançaram Bleed Like Me. O disco é bom até e tem uma bela seqüência já nas quatro primeiras músicas (“Bad Boyfriend”, “Run Baby Run”, “Right Between the Eyes” e “Why Do You Love Me”). Depois disso, algumas sem graça como a faixa-título e “Sex Is Not The Enemy”. Nem por isso o disco não deixa de guardar pequenas surpresas como “Metal Heart” e “Boys Wanna Fight”, que o faz soar tão e nervoso quanto os primeiros.
Para não passar em branco e entrando no clichezão de outras bandas, este ano foi lançada a coletânea Absolute Garbage com os maiores hits. E enquanto eles não lançam o disco novo, Tell Me Where It Hurts, você já pode ir vasculhando pela Internet por novidades e faixas como “Betcha”, que vazou para a rede e mostra em 4 minutos que o Garbage, apesar de tudo, ainda é veterano e está longe de ser enlatado como passado.
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