|
|
 |
Do punk-all star ao hard rock-de-botas
por MARIÂNGELA CARVALHO - 27/08/2007
|
(SÃO PAULO/SP) - A apresentação do The Donnas no Brasil vai render comentários para o lado bom e ruim. Alguns vão dizer que o show foi meia boca, que elas não têm tanto appeal e que bandas punks de segundo escalão fariam apenas uma apresentação medíocre. Ledo engano. O quarteto californiano veio para três apresentações no país e deve ter se emocionado com a singela legião de fãs que cantou as músicas e pirou em alguns momentos. Ah, e elas deixaram o punk faz tempo.
|
A real é que as Donnas fazem música de garotas, então não é de se admirar que para a ala masculina pouco importa um show delas ou não. Já para as meninas, o quarteto sempre foi exponencial no que faz: música rápida, divertida e com irônicas sacadas sobre relacionamentos, rivais e festinhas high school. Pelo menos foi o que rendeu ao show de São Paulo alguns pontos positivos.
Em uma hora de show, começando com a faixa-título do disco novo, “Bitchin’”, as ex-gordinhas botaram a casa abaixo com o set list carregado de hits nervosos e ovacionados pelo público, extasiado pela presença e carisma da banda. Longe de ser memorável, a apresentação serviu para a parcela de fãs-seguidores se sentir bem satisfeita: “40 Boys in 40 Nights”, “5 O’Clock in the Morning”, “You Wanna Get Me High”, “Fall Behind Me”, “Living After Midnight” fizeram a função de entreter e manter o climão durante os meandros do show. No bis, além de uma nova, teve “You Make Me Hot” e a mais pedida, “Take It Off”, as despedidas dos palcos brasileiros.
|
|
Fotos: Divulgação |
 |
|
|
|
|
|
Engraçado que, para os que acharam fraca a apresentação, fica difícil explicar tantas pessoas seguindo os versos e refrões chicletões do grupo e soltando uivos e palmas a cada palavra trocada entre as integrantes e, em especial, pela simpatia da vocalista Brett Anderson, a Donna A, que não hesitou em se esbaldar em elogios e encher a bola da platéia. Aliás, é bem certeza que a banda se impressionou com a quantidade e “qualidade” do público.
Os indies paulistanos não estariam tão bem estilizados nem que fossem para Hollywood! Ou seja, além de ter os dois últimos discos na ponta da língua (o que também não quer dizer muita coisa já que são 6 os discos na carreira das Donnas), quem não se encantaria com uma platéia toda descolada? Por isso que gringo vem ao Brasil e acha o paraíso!
Com quase 10 anos de banda a evolução do punk-all star pro hard rock-de-botas ainda precisava se provar mais. Hoje, super produzidas e bem cotadas, as Donnas se mostraram altamente confiantes no que fazem e isso já é o bastante para manter o espírito punk, responsável por alçá-las à “fama”. Preparadas para lançar o sétimo disco de carreira era de se esperar um show mais longo, mas as coisas mal tinham começado a esquentar e já era hora do bis. Mas tudo bem, cumpriu tabela apesar de não conseguir superar as expectativas.
Por essas e outras, pelo menos em São Paulo as Donnas conseguiram divertir e fazer um show de encher os olhos. Para poucos, mas com devoção.
Novidades no show
Para já ir pegando a molecada pela orelha, três das faixas novas foram tocadas: “Bitchin”, “Wasted” e “Girl Talk”, disponíveis no MySpace (www.myspace.com/thedonnas). A primeira mostra algo de moderno logo no loop inicial mas já vai pros lados do hard rock “pau duro” e do garageiro. “Wasted” também, além de pegar onda no glam de Cramps e NY Dolls e ter direito a riffões nervosos de guitarra. “Girl Talk” parece fazer parte das reminiscências do disco Get Skintighted e faixas como “I Didn’t Like You Anyway”, no melhor estilo cheerleader. G-I-R-L T-A-L-K foi cantada com convicção: conversa de mulher, rapaz. Não se intrometa.
|
|
|
|