Festivais agitam mercado brasileiro
por BRUNO DIAS

PRESIDENTE PRUDENTE - Preparem suas mochilas e bolsos! Isso mesmo, 2004 promete ser um ano agitado no Brasil. O número crescente de bandas de qualidade fez com que o número de festivais de qualidade também crescesse. "O que eu acho que está acontecendo agora no Brasil, é que a independência está reinando aqui, as gravadoras não investem mais em novos artistas como nos anos 90. Os artistas por sua vez, não mais acreditam no esquema das gravadoras, e todo mundo está partindo para lançar seus discos. As melhores coisas brasileiras que eu recebi, e ouvi, nos últimos tempos, foram lançamentos independentes", ressalta o organizador do festival Abril Pro Rock de Recife/PE e pioneiro no apoio aos independentes, Paulo André.

Antes, os brasileiros se limitavam a iniciativas de Rio e São Paulo, que centravam as principais atrações em festivais como Hollywood Rock, Free Jazz Festival etc. Esse ano, nos deparamos com edições históricas do Abril Pro Rock (Recife/PE) e Goiânia Noise Festival, sem contar o badalado show do Pixies, exclusividade da segunda edição do Curitiba Pop Festival. Isso sem contar inúmeros festivais fora do eixo Rio-São Paulo. "Iniciativas como as da Monstro, Abril Pro Rock, Mada, Porão do Rock, mostraram que é viável fazer bons festivais fora do eixo [Rio-São Paulo]. O rock independente tem se fortalecido, os festivais são sempre uma boa alternativa das bandas divulgarem seus trabalhos. Aos poucos a cena foi se organizando, os produtores trocando experiências. Hoje, já existe até um "calendário" de festivais", explica um dos organizadores dos festivais Goiânia Noise Festival e Bananada, sócio da Monstro Discos de Goiânia/GO, Leo Razuk.

Esse aumento de eventos pelo país dá margem a comparações. Será que o Brasil está se tornando o país dos festivais (assim como muitos países da Europa e EUA)? Para Paulo André ainda é cedo para comparar o crescente número de festivais nacionais com os famosos eventos europeus. "Na Europa, qualquer cidade de médio porte tem seu festival no verão, é outra realidade. Em 2003, passei três meses fora do Brasil em turnê com DJ Dolores y Orchestra Santa Massa, e em convenções de música. Conheço bem a realidade deles".

Mas isso não quer dizer que não estamos caminhando para algo parecido. "Acho que com surgimento de outros festivais pelo Brasil, esta cena independente encontrou mais espaço, não só para tocar, mas para aparecer também. O Abril Pro Rock, é o único festival no mundo, que junta no mesmo evento, cultura popular com heavy metal e música eletrônica", ressalta Paulo

Alta do dólar e falta de incentivo - A alta do dólar e a crise econômica em nosso país limitou a vinda de bandas internacionais para o Brasil, principalmente para tocar em festivais que não possuem grandes patrocinadores.
Fotomontagem: Bruno Dias
"A crise atrapalhou claro, a alta do dólar também. Mas acho que o Brasil não tem do que reclamar, não temos o dinheiro dos europeus e americanos. Mesmo assim, muita gente boa está vindo tocar no Brasil. Quando temos uma como Soulfly, Destruction, Sepultura no sábado, tradicional dia do rock pesado, aumenta a freqüência do público da região por causa da carência deste tipo de show por aqui", afirma Paulo André.

Antes a escalação de bandas independentes internacionais era bem maior. "Teve um ano que chegamos a fazer seis shows gringos aqui em Goiânia, de Mudhoney a Luna, Trail of Dead, Nebula, Man or Astroman. Isso é fantástico para a cidade, para as bandas locais, para o público, mas hoje tem sido complicado", lamenta Razuk. Muitos festivais ainda dependem de incentivo público (isso quando conseguem algum) ou de leis que acabam jogando a obrigação de incentivar novos eventos nas empresas. Como foi o caso do pessoal do festival No Ar Coquetel Molotov, que ganha sua primeira edição divido em duas cidades Recife/PE e São Paulo/SP, e terá como atrações principais a banda escocesa Teenage Fanclub e os suécos do Hell onWheels. "Conseguir a grana é muito difícil, especialmente em Pernambuco. Poucas pessoas das empresas que fomos atrás conhecem o Teenage Fanclub e Hell on Wheels. Muito menos as bandas nacionais como Parafusa e Profiterolis, que irão tocar no festival de Recife. O problema mesmo é quando o governo coloca a responsabilidade cultural nas empresas. Elas estão preocupadas com sua imagem e não no evento cultural em si", reclama uma das organizadoras do evento Ana Garcia.

Novidades atraem público - A diversidade de bandas e atividades nos festivais têm dado resultado. Ano passado, a nona edição do Goiânia Noise Festival inovou com um espaço mais amplo e diversificado. "Fizemos o festival no Jóquei Clube, um dos pontos mais tradicionais de Goiânia, e, além dos dois palcos, montamos também um grande bazar e até uma tenda eletrônica, onde 12 DJs se apresentaram nos três dias de festival. De bandas, ao todo, foram 42 atrações, com destaques para o Mundo Livre S/A, Wado, Ratos de Porão, Autoramas, Mukeka di Rato e os japoneses do Guitar Wolf. Com tudo isso, chegamos a ter um público de mais de 9 mil pessoas nos três dias de festival", comemora Razuk. De acordo com Paulo André, esse ano, o tradicional Abril Pro Rock de Recife/PE trará em sua 12º edição novidades que prometem levar mais opções de entretenimento ao público "teremos um salão de tecnologia com empresas do Porto Digital, apoiado pelo Sebrae - PE, que desenvolvem, e vendem tecnologia pernambucana. De games para celulares e computador, a ingresso eletrônico e venda de música on-line. Além da parte performática, com os VJs do Media Sana, e a performance Desestábiles, de Flavio Emanuel, artista que trabalha com arte e tecnologia, da N.A.V.E. (Nucleo de Artes Visuais e Experimentos)".

Bandas gringas agitam primeiro semestre de 2004 - Esse começo de ano trouxe boas surpresas aos "indies" brasileiros. O que começou como um boato tornou-se realidade e desespero, estou falando do show do Pixies na segunda edição do CPF. Com ingressos esgotados em poucas horas, cerca de 3 mil sortudos terão a oportunidade de acompanhar a volta dos americanos, fato que tem causado ansiedade em fãs do mundo todo. Além de Pixies, outra banda que marcou gerações virá ao Brasil-os escoceses do Teenage Fanclub. Com uma agenda mais acessível, eles tocarão no CPF e na primeira edição do Festival No Ar Coquetel Molotov, ao lado dos suécos do Hell on Wheels. A surpresa, claro, teria que ficar para o final. Por isso deixo que o Leo Razuk, da Monstro Discos, se encarregue de divulgá-la: "Pro Bananada, pintou a oportunidade de trazermos o Lemonheads (ihhh, contei!) e estamos fazendo de tudo para concretizar isso", vamos torcer. Que venham os festivais!

PS- Datas de alguns festivais do primeiro semestre de 2004:

- 12ª edição do Abril Pro Rock: dias 16, 17 e 18 de abril no Pavilhão do Centro de Convenções em Recife/PE. Site oficial www.abrilprorock.com.br ;

- Festival No Ar Coquetel Molotov: dia 01 de maio, no Teatro da UFPE em Recife/PE; dias 04, 05 e 06 do mesmo mês, no Sesc Pompéia em São Paulo/SP;

- Bananada 2004: dias 21, 22 e 23 de maio no Centro Cultural Martim Cererê, em Goiânia/GO. Site oficial www.monstrodiscos.com.br/bananada ;

- Curitiba Pop Festival: dias 07 e 08 de maio na ÓPERA DE ARAME em Curitiba/PR. Site oficial www.curitibapopfestival.com ;

- MADA: Natal/RN em maio. Site oficial www.festivalmada.com.br ;

- Porão do Rock: dias 03 e 04 de julho de 2004 no estacionamento do estádio Mané Garrincha em Brasília/DF. Site oficial www.poraodorock.com.br