(SÃO PAULO/SP) - De volta ao Brasil depois de dois anos, quando fizeram uma única apresentação no Rio de Janeiro, os franceses do Nouvelle Vague encontraram um público sofisticado e ávido para ouvir as versões de clássicos do rock setentista/oitentista que eles fazem no amplo teatro do Sesc-Pinheiros (São Paulo).
O atraso de quase meia hora foi providencial para o fato dos ingressos terem esgotado uma semana antes se confirmasse – no horário marcado, nem 1/3 do local estava cheio. “Killing Moon” do Echo & The Bunnymen, abriu o show de forma suave, com o público em silêncio prestando atenção na voz macia de Mélanie Pain. Mas no clássico oitentista “Dancin With Myself” (Billy Idol) começou o show particular da performática Phoebe Killdeer. Diferente de Mélanie que é mais reservada, ela encara o público, toca alguns badulaques ocasionalmente e chega até a rolar no chão, como fez na sinistra versão de “BelaLugosi’s Dead” (Bauhaus) – além de emular um saxofone.
Na releitura de “Too Drunk To Fuck” dos Dead Kennedys, as cantoras se alternaram nos vocais e também para ver quem conseguia atiçar mais o público. Com tanto incentivo, o clima de “recital” foi quebrado e todos se levantaram das cadeiras. Mélanie pegou uma garrafa de whisky e saiu servindo doses para a galera enquanto Phoebe tirou um cara com uma camiseta da seleção francesa para dançar.
Fotos: Urbanaque.com.br
A sucessão dos hits “Teenage Kicks” (Undertones), “Heart Of Glass” (Blondie) e “Friday Night Saturday Morning” (The Specials) poderia até satisfazer o desejo de quem compareceu. Mas faltava a cereja do bolo, “Love Will Tears Us Apart” do Joy Division, uma das melhores releituras que o Nouvelle Vague fez, destacada para encerrar a noite. Ou melhor, a que estava programada se não fosse a insistência do público em reivindicar um bis, prontamente atendido pela banda com “Tainted Love” (popularizada pelo Soft Cell) e “I Just Can’t Get Enough” (Depeche Mode) – esta arrancada no grito pela galera.
Findo o espetáculo, a satisfação em presenciar uma banda tão competente como o Nouvelle Vague podia ser vista no rosto transfigurado do mais blasé dos fãs.
* Nouvelle Vague - "Friday Night Saturday Morning" (Ao vivo em São Paulo)