Quem é vivo...
por LEONARDO DIAS PEREIRA
O lançamento de Dreamt For Light Years In The Belly Of A Mountain traz alguns bons motivos para se comemorar. Um deles é o fato de Mark Linkous – o Sparklehorse em si – estar vivo.

Dono de uma personalidade auto-destrutiva, atormentada e com problemas nos mais variados tipos de drogas, Linkous encarna perfeitamente o mito do “gênio-problemático-do-rock”. E para aumentar o terreno das especulações, Linkous vive isolado em uma fazenda nos cafundós do estado da Virginia e raramente da alguma entrevista ou faz aparições públicas.

Outro é que Dreamt..., o sucessor do multi-estrelado It’s A Wonderful Life (2001), que contava com participações especiais de um grande time de artistas, rompe um hiato de 5 anos sem um disco dessa banda tão essencial no cenário do rock alternativo.

E olha que por um triz esse disco não sai. Isso porque Dreamt... é aquele famoso “catadão”: Linkous passou esse qüinqüênio patinando em cima de poucos esboços e fragmentos de músicas e precisou novamente de um empurrão de seus amigos que tanto o admiram pra engrenar.

Sparklehorse
Dreamt for Light Years in the Belly of a Mountain
Astralwerks (Importado)

Dessa vez quem deu uma grande mão foi Dave Fridmann (produtor de Flaming Lips e Mercury Rev) que além de produzir o disco ao lado de Linkous, atacou de tecladista e baixista em várias faixas. Assim como Tom Waits, que tocou piano em “Morning Hollow” - faixa excluída do antecessor It’s A Wonderful Life – e o onipresente Danger Mouse que deu um tratamento especial em “Gettint It Wrong”.

Para provar que Dreamt... é um “catadão”, basta dar uma olhadela na trilha sonora do filme Laurel Canyon que lá você encontrará a bela “Shade And Honey”. Mas apesar disso, o álbum guarda uma grande identidade entre as músicas, mérito, claro, da arte idiossincrática de Mark Linkous. Agora é torcer pro homem continuar vivo, principalmente ao se levar em consideração que o Sparklehorse já está em turnê – e os excessos do meio musical não são novidade pra ninguém.