Super blonde
por MARIÂNGELA CARVALHO
Mais loira do que nunca, Gwen Stefani ressurge recauchutada em seu novo trabalho, The Sweet Scape. Para quem faz sucesso há dez anos - desde que o No Doubt estourou com seu multiplatinado terceiro disco, Tragic Kingdom -, chegar aos 40 com a mesma cara de boneca e o jeito sassy pode até reverter em bons frutos.

Depois de ter virado fenômeno do ska, Gwen Stefani começou a pender para umas modernidades, samples, flows de hip hop e hoje ostenta um posto invejável. Apesar do mundo pra lá de andrógino (dados os clipes e fotos) que parece fazer a cabeça da loira agora, ela conseguiu lançar dois solos quase impecáveis. Este último é uma beleza: ela canta como Fergie, mistura batidas e gírias do melhor gangsta rap, R&B e alucinógenas doses eletrônicas em “Wind It Up” e na autobiográfica “Orange County Girl”; paga de delícia em “Yummy” numa prolífica colagem de sons; chora as mágoas em “4 in the Morning” e se lamenta em “U Started It”.

Tem hits e baladas quase desperdiçados como “Wonderful Life” e “Early Winter”, dor de cotovelo em “Breakin’ Up” e grudentos suspiros de amor na faixa-título – algo muito próximo do quinto disco do No Doubt, Rock Steady, mas com a autenticidade que Gwen adquiriu sozinha. O bom mesmo fica por conta de “Now That You Got It” e “Don’t Get It Twisted”: dançantes, cheias de appeal, perfeitas para pistas de dança e ideais para recrutar ainda mais o público adolescente que Gwen tem arranjado mundo afora.

Gwen Stefani
The Sweet Scape
Interscope Records

Se Justin Timberlake é agora o rei do pop, Gwen poderia ser a rainha – se a real rainha tivesse deposto seu trono. Enquanto imperavam as pegajosas modas das Spice Girls, progredindo até chegar a porcarias completas como as inúmeras cópias de Britney Spear, a garota de Orange County foi para outros lados e descobriu maneiras de inovar mantendo a qualidade.