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Documento gaulês
por BRUNO DIAS |
Algumas coisas são tradições no Rio Grande do Sul. O churrasco, chimarrão, o rio Guaíba, os times do Grêmio e Internacional, a literatura da família Veríssimo, a fama de “macho”, e claro... o rock! Se bandas como Cachorro Grande, Bidê ou Balde, Pública e Superguidis existem, isso se deve a personalidades gaúchas como Wander Wildner (e os Replicantes), Carlos Eduardo Miranda, Humberto Gessinger (sei que você não gosta, mas a história prova o que estou dizendo), Edu K, e à Graforréia Xilarmônica.
Formada por Frank Jorge (baixo e voz), Carlo Pianta (guitarra e voz), e Alexandre Birck (bateria), a GX possui uma influência muito grande em novas bandas que apostam na inovação da Jovem Guarda. E não são apenas bandas gaúchas que sofrem dessa influência, um exemplo disso foi a parceria de Frank Jorge com os pernambucanos do Volver, que rendeu shows no Abril Pro Rock e uma mini-turnê pelo Rio Grande do Sul.
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Graforréia Filarmônica
Graforréia Filarmônica Ao Vivo
Senhor F/ Estúdio Dreher Discos
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E ninguém melhor que o selo Senhor F (em parceria com o novo selo gaúcho Estúdio Dreher Discos) para lançar o terceiro disco da GX (quarto se incluirmos a fita-cassete Com Amor Muito Carinho, de 1988), após nove anos sem lançar nada (o último disco lançado pela banda, Chapinhas de Ouro, é de 1998). Graforréia Xilarmônica Ao Vivo marca a volta definitiva da banda que em 2000 havia anunciado seu fim e apenas realizava shows esporádicos, até decidir voltar de vez em 2005 após show na praia de Atlântida no Bar The Front.
São 19 músicas que formam um excelente retrado da carreira da GX. Entre elas estão “Nunca diga” e “Eu” (ambas ganharam versões do Pato Fu), “Bagaceiro chinelão”, “Você foi embora”, “A técnica do baixo elétrico”, “Empregada”, clássicos do cancioneiro gaulês. Com letras bem sacadas e recheadas de ironia e humor, a GX consegue encaixar palavras nunca antes imaginadas em uma letra de música (talvez a maior herança deixada para os garotos do Superguidis).
Graforréia Xilarmônica Ao Vivo foi gravado no Manara Bar em Porto Alegre, nos dias 11 e 12 de julho de 2005, produzido por Kassin e Berna Ceppas, e ainda contou com a participação de Marcelo Birck. Um registro à altura da representatividade que a GX possui no rock brasileiro.
Confira abaixo texto escrito por Luis Fernando Veríssimo sobre o lançamento do disco Graforréia Xilarmônica Ao Vivo:
GX é tudo que você ouviu nos últimos 40 anos (mesmo que só tenha 17)
O que é isto? Para começar, isto precisa ser alguma coisa? Precisa. Tudo tem que ter um nome, uma história, um começo, uma definição, não necessariamente nesta ordem. Nome e história eles têm. A “Graforréia Xilarmônica” já andou por aí o tempo suficiente para ter fases, para parar e voltar algumas vezes e até para ser influência. Definição? Se Schönberg tivesse ganho uma guitarra elétrica no Natal... Não, não. Se os Beatles ainda estivessem todos vivos e ativos e decidissem só se auto-parodiar... Não, não. Se a Jovem Guarda voltasse ao mundo sem as calças boca-de-sino e com um espírito crítico... Não, não. Tente esta: a “Graforréia Xilarmônica” é tudo que você ouviu nos últimos 40 anos (mesmo que só tenha 17), reunido, batido e servido no seu estilo inconfundível - e indefinível. O que é isto? Só ouvindo.
* Acesse: www.graforreiaxilarmonica.com.br e www.senhorf.com.br
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