Porque menos é mais
por LEONARDO DIAS PEREIRA
Supostamente, esse Futurismo de Kassin+2 selaria a trilogia começada com Moreno+2 e intercalada por Domenico+2. A suposição fica pelo fato de que após esse “derradeiro” disco o grupo passará a se denominar apenas +2. E cantar era uma das coisas que faltava Kassin fazer no mundo da música, já que não é novidade pra ninguém os seus dotes de músico polivalente e produtor musical de mão cheia.

Com uma voz suave que transita (guardada as devidas proporções, claro) entre um melancólico Chet Baker e mais atualmente a de Felip S. do Mombojó, Kassin consegue provar a todos que menos é mais. Que não é necessário gritos nauseabundos ou contorcionismos pro-toolísticos para convencer a crítica, mesmo sabendo que Futurismo não é feita para análises mais profundas, e sim para ser ouvido em uma bela tarde ensolarada, ao lado de boas companhias e uma cerva trincando.

Kassin +2
Futurismo
Ping Pong

O grande fio condutor das 20 músicas deste álbum – fora algumas exceções – é a bossa diluída em diversos estilos musicais, tais como a rumba (“Quando Nara Ri”), o hard-core (“Ponto Final”) a eletrônica (“Samba Machine”) e a surf-music (“Homem ao Mar”). As exceções são encontradas nas incursões de Kassin ao mundo da guitarrada como em “Água” e os clássicos rockinhos loshermânicos de “Pra Lembrar” e “Mensagem”.

Fora os outros dois (Domenico e Moreno), Futurismo conta ainda com as participações especiais dos bambas João Donato e Jorge Mautner, e obviamente dos parceiros de sítio dos Los Hermanos. Apesar do título, Futurismo possui uma sonoridade completamente atemporal, o que com certeza garantirá longa vida a esse despretensioso registro de um artista que não tem medo de experimentar. Mesmo quando a experimentação é comedida, pois como foi dito acima: menos é mais.