|
|
 |
De curar insônia
por LEONARDO DIAS PEREIRA |
Antes de qualquer coisa, uma observação faz-se necessária: não existem mais superbandas como antigamente (que saudade dos Travelling Wilburys!). As da atualidade, citando dois nomes bens conhecidos como o Velvet Revolver e o Audioslave, foram feitas para tirar da obscuridade os antigos ídolos (os primeiros) ou então para manter em evidência outros tantos (os segundos). Em ambos os casos, o resultado para quem não é extremista a ponto de engolir (ouvir) e defender a qualquer custa esses citados artistas, foi bem insatisfatório, chegando a beirar a paródia do que foi o retrato de grandes rockstars.
Agora passamos a analisar a mais nova superbanda do pedaço, a tal do The Good, The Bad & The Queen.
Composta por figurões da música inglesa, tais como Damon Albarn (Blur e Gorillaz), Paul Simonon (The Clash), Simon Tong (The Verve) e Tony Allen (Fela Kuti) e produção de Danger Mouse (precisa falar?), a banda tinha praticamente tudo para ser um acerto em meio ao mar de equívocos que impera nesse perigoso nicho (o das superbandas).
|
 |
The Good, The Bad & The Queen
The Good, The Bad & The Queen
EMI
 |
|
|
|
Não só pelos trabalhos pregressos de seus componentes – que beira o incontestável – mas sim pelo fato de ser o retorno do geniozinho Damon Albarn ao mundo, han, real. No entanto, o resultado é tão modorrento que cura a mais remota das insônias. O que impera na sonoridade deles é um folkzinho vagabundo, arrastado, permeado por barulhinhos eletrônicos que mais parecem estarem lá para justificar a produção de Danger Mouse. Pra não dizer que o disco é de todo ruim, a faixa-título (The Good, The Bad & The Queen) é digna do que todos fizeram para merecer o status que hoje sustentam.
Ao menos temos um alento para o futuro: o Audioslave pelo que tudo indica, até que enfim terminou com a recém reunião do Rage Against The Machine. O Velvet Revolver vai vir ao Brasil rapelar a carteira das viúvas de suas antigas bandas (lei-se fãs de Guns’n Roses, o Weiland tá lá pra polemizar ou morrer de overdose logo), mas o seu fim já se prenuncia.
Bem que os manos dessa nova “superbanda” poderiam criar um pouco de juízo e retornarem para os seus devidos lugares, em suas devidas bandas, porque essa mal nasceu e nem conseguiu dar um respiro de originalidade.
* Ouça: "The Good, The Bad & The Queen".
|
|
|
|