Sem dilema
por LEONARDO DIAS PEREIRA
Saca aquele velho dilema de uma banda quando lança um trabalho bem sucedido de crítica e de público, o de superar essa marca? Depois do extraordinário Good News for People Who Love Bad News a questão recorrente era se os americanos do Modest Mouse seriam capazes de transpor esse dilema sem perder o brilhantismo ou cair na armadilha da acomodação. Além de constar com um título genial – We Were Dead Before The Ship Even Sank – o sétimo disco da banda conseguiu a proeza de soar melhor do que o seu antecessor.

E a principal diferença é notada em uma primeira audição: as guitarras estão mais presentes, duelando com a voz estrambótica de Isaac Brock, que parece ficar mais insano a cada álbum. Mérito do mais novo componente do grupo, o responsável por moldar as lamúrias de Morrissey junto aos Smiths. Ele mesmo, Johnny Marr.

Chega a ser até paradoxal (covardia pra ser sincero) que um guitarrista com um passado tão marcante se juntasse a um grupo, han, modesto do rock alternativo americano.
We Were Dead Before The Ship Even Sank
MODEST MOUSE
EPIC

Mas os ganhos são para ambas as partes, porque certamente músicas como o primeiro single “Dashboard”, com uma guitarra sacaninha e levada pegajosa, e a dançante “Florida” garantiram o seu lugar na lista de melhores desse ano. We Were... conta ainda com backing vocals de James Mercer em “We´ve Got Everything” dos queridinhos do The Shins, e pedradas bem acertadas como “Fly Trapped In a Jar” e “Education”.

Dizer que é um dos discos do ano seria um reducionismo imenso. Esse é para ser ouvido e lembrado por um bom tempo, porque não é sempre que artistas tão brilhantes se unem pra tirar uma onda. E que onda!