Releitura necessária
por LEONARDO DIAS PEREIRA
Geralmente quando um artista consagrado resolve lançar um disco de versões (ou covers, que seja) de outros artistas sob o pretexto de “pagar um tributo à obra deles”, as questões suscitadas nunca são positivas.

Estaria esse artista passando por algum tipo de bloqueio na hora de compor? Seria alguma tentativa de embolsar um dinheirinho de forma fácil, apenas repassando os direitos autorais pra não gerar problemas legais? Ou é pura preguiça mesmo? Difícil você não pensar tudo isso e algo mais quando se depara com um disco de versões.

Mas fica mais difícil ainda lançar essas questões todas quando o artista em xeque é a Sra. Patti Smith, musa-mor do punk nova-iorquino. Primeiro, porque ela vem lançando discos regularmente desde o começo da década.
Twelve
PATTI SMITH
Sony (Importado)
Segundo, por ser uma pessoa altamente politizada e consciente do que faz, quando ela usa o pretexto de “pagar um tributo” (ui!), nós devemos respeitar, porque afinal, é a Patti Smith, porra! Twelve, como o título faz supor, é uma coleção de 12 músicas que influenciaram ou marcaram a carreira da Sra. Smith, todas repaginadas ao seu estilo. Do time das influências, ela escalou “Are You Experienced?” de Jimi Hendrix, “With Rabbit” do Jefferson Airplane, “Helpless” de Neil Young, “Gimme Shelter” dos Rolling Stones, “Soul Kitchen” dos Doors, “Within You Without You” composta por George Harrison e “Midnight Rider” dos Allman Brothers. Já do outro lado, o dos que a marcaram (duplo ui!), “Changing Of The Guards”, canção de 1978 de Bob Dylan, “The Boy In The Bubble” de Paul Simon, “Pastime Paradise” de Stevie Wonder com uma bela linha de piano fazendo a base da música e “Everybody Wants To Rule The World” dos Tears For Fears, provando que além de politizada, a Sra. Smith é muito da porreta!

Se você se deu ao trabalho de contar, vai perceber que falta uma música, e justo a melhor versão do disco: “Smell Like Teen Spirit” do Nirvana, que ganhou uma roupagem acústica e linha de banjo, fora a interpretação de Patti Smith que beira o dramático.

A musa-mor do punk até já fez algumas versões de outros artistas, mas ao incluir tudo em um álbum, além de “pagar o tal tributo”, ela consegue fazer uma releitura mais do que necessária para essas músicas que insistem em ficar no imaginário pop (e rock).