Sossega leão!
por LEONARDO DIAS PEREIRA - 13/09/2007
Que Ryan Adams é um cara não muito equilibrado (no sentido de meter o pé na jaca) todo mundo sabe. Quando ele começa a lançar um disco atrás do outro - como em 2005, quando espoliou os seus fãs com a trilogia Cold Roses, Jacksonville City Nights e 29 - aparecer com inúmeros projetos paralelos, nem precisa de muitas elucubrações: o homem tá surtado.

Depois dessa enxurrada de discos, Adams resolveu dar um sussega-leão em si mesmo (em recente entrevista revelou que está a mais de um ano sóbrio) e agora retorna com Easy Tiger, seu nono disco, título que significa numa tradução livre, justamente, “sossega-leão”. E mais focado, Adams conseguiu lançar um de seus álbuns mais coesos desde sua estréia em 2000, com Heartbraker.

A estética country-rock/alt-country é predominante em Easy Tiger, lembrando em vários momentos dois grandes ícones que ajudaram a forjar esses gêneros: Tim Buckley e Gram Parsons. “Goodnight Rose” poderia facilmente figurar entre as músicas do primeiro – o timbre da voz de Adams está mediunicamente parecido com o de Buckley. Enquanto “Two”, uma bela balada country com a participação de Sheryl Crow, nos remete aos memoráveis duetos de Gram Parsons e Emmylou-Harris.

Easy Tiger
Ryan Adams
Lost Highway (Importado)

Nota:


Classificação:
5 Urbs - Ótimo ; 4 Urbs - Bom ; 3 Urbs - Regular 2 Urbs - Ruim ; 1 Urb - Péssimo

Não bastasse essas e outras baladas dilacerantes – “Everybody Knows” também com Sheryl Crow é outra delas – Ryan Adams ainda teve fôlego para tirar do chapéu um dos hinos rock desse ano, “Halloweenhead”, com direito a sinos e refrão ganchudo-arrasa-quarteirão. “Two Hearts” e “Rip Off” são ainda instantes de grande inspiração.

Um dos melhores discos desse ano, Sky, Blue, Sky do Wilco, encontrou agora o seu rival em Easy Tiger. E Ryan Adams, além de dar uma boa arejada no surrado, porém irresistível, country-rock, recoloca nos trilhos uma carreira que ameaçava perder o rumo.