Tristeza interminável
por LEONARDO DIAS PEREIRA - 30/09/2007
“Não há mal que dure para sempre” já dizia o ditado, que definitivamente não se aplica aos nova-iorquinos do Interpol. A sensação de mal-estar predomina em Our Love To Admire, terceiro álbum da banda que desde o seu início é constantemente apontada como uma cópia malfadada de Joy Division. Injustamente, claro, até porque nesse novo disco, eles parecem ter finalmente encontrado a sua sonoridade – mesmo com a identidade das vozes de Paul Banks e Ian Curtis persistindo.

Toda a arte gráfica do álbum – em especial a capa que mostra leões atacando um antílope – evidencia que Our Love To Admire não é feito para ocasiões festivas, e a seqüência inicial das músicas confirma o sentimento caliginoso.

A primeira, “Pioneer To The Falls”, é de uma depressão de estourar o peito. “No I In Three Some” até engana com o seu andamento mais acelerado, mas a letra sarcástica e cínica retoma o clima sombrio, que se intensifica em “The Scale”, não por acaso uma das faixas simbólicas do álbum.

Our Love to Admire
Interpol
EMI

Nota:


Classificação:
5 Urbs - Ótimo ; 4 Urbs - Bom ; 3 Urbs - Regular 2 Urbs - Ruim ; 1 Urb - Péssimo

As guitarras bem colocadas e seqüenciadas que deram notoriedade aos nova-iorquinos aparecem em “The Heinrich Maneuver” (a única com potencial de hit clubístico), “Mammoth” e “All Fired Up”. Mas o tom lúgubre, como dito inicialmente, predomina até a quase gospel “The Lighthouse”, que encerra o disco.

“Não há mal que dure para sempre”. Se depender do Interpol, esse azedume nunca vai sair do peito.