Mistura fina
por LEONARDO DIAS PEREIRA
Tudo começou com uma suposta brincadeira: mesclar o “The Black Álbum” de Jay-Z com o “The White Álbum” dos Beatles, resultando no “Grey Álbum”.

O resultado não foi lá aquelas coisas, mas a repercussão foi suficiente para chamar a atenção ao desconhecido Brian Burton, mais conhecido como o DJ e produtor Danger Mouse. Não demorou muito para que o esperto Damon Albarn (vocalista do Blur) o chamasse para produzir o segundo disco de seu projeto paralelo Gorillaz, “Demon Days”.

Agora, a nova empreitada de Danger Mouse no mundo da música pop atende pelo estranho nome de Gnarls Barkley, lançando um disco absolutamente moderno e incrível chamado “St. Elsewhere”.
Enquanto Danger Mouse pilota as pick-ups, o até então desconhecido e polivalente soulman, Cee-Lo Green, faz às vezes de crooner.

GNARLS BARKLEY
St. Elsewhere
Downtown (Importado)
E é justamente ele que rouba a cena em “St. Elsewhere” ditando o ritmo das músicas que são uma verdadeira aula de como a sagrada música negra pode perfeitamente casar com os mais diversos tipos de música eletrônica. Tem de tudo nesse álbum - soul music com aquela batida quebrada e ritmada do trip hop (“Just A Thought”); hip-hop com jungle (“Transformer”); tem até o velho rock and roll com uma batida eletrônica esperta (“Gone Daddy Gone”).

Isso sem contar que uma das candidatas à música do ano se encontra em “St. Elsewhere” : o mega-hit “Crazy”, que esta próximo a alcançar a primeira posição dos singles mais vendidos e ouvidos no mundo, a ponto de os integrantes
da banda suplicarem para que os fãs deixassem de ouvi-la, afim de que pudessem lançar o segundo single,
a esperta “Smiley Faces ”.

Gnarls Barkley representa o que há de mais moderno na música pop contemporânea, e alça Danger Mouse à posição de um dos mais descolados produtores do mundo. O Outkast nesse momento deve estar pensando : “E agora?”