Irmão bastardo
por BRUNO DIAS - 30/10/2007
A grande efeméride do ano foi o clássico dos Beatles Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band ter chegado ao time dos “enta”. Mas naquela mesma época, quarenta anos atrás, e no mesmo estúdio (o lendário Abbey Road) outro clássico foi gestado e parido: The Piper At the Gates of Dawn do Pink Floyd.

Enquanto os Beatles tentavam expandir as possibilidades criativas através da psicodelia, o Pink Floyd já nascia esquizofrênico e “cabeçudo” como o gênero requer. Foi muito por conta desse disco, praticamente inteiro composto por Syd Barrett antes de sucumbir à loucura (e muito provavelmente o único lampejo criativo de sua carreira) que a banda foi considerada um expoente máximo do rock pscicodélico.

Reação natural às músicas transcendentais como “Astronomy Domine” e “Interstellar Overdrive”, viajadas como “Matilda Mother”, “Pow R. Toc H.” (um trocadilho com uma expressão que significa maconha) e “The Gnome”. Sem contar que a sonoridade sinistra que as envolvem e o baixo pulsante de Roger Waters podem ser consideradas a gênese do que hoje viria a ser conhecido como “pós-punk” – ouça “Lucifer Sam” e comprove.

The Piper At The Gates of Dawn – 40th anniversary
Pink Floyd
EMI

Um disco tão influente como o de estréia do Pink Floyd não poderia ficar sem ganhar uma edição especial. O grande porém, é que os fanáticos brasileiros não têm muito o que ganhar com a versão disponível no mercado nacional a não ser um disco em mono (talvez pra simular uma viagem de volta ao tempo, vai saber), e outro em estéreo.

Já os gringos pagam dois e levam três: um disco com lados B lançados na mesma época do álbum e capinha estilosa. Mas fanatismo, geralmente, não se discute.