O fazendeiro safado
por LEONARDO DIAS PEREIRA - 18/01/2008
Por tudo o que viveu na lendária The Band, “A Banda” do Bob Dylan que o ajudou a injetar eletricidade em seu folk, dá para considerar que Levon Helm é de fato um “fazendeiro sujo”, como supõe o título de seu novo disco.

Considerado o baterista-vocalista mais cool do rock (e do folkrock), além de ser multiinstrumentista, Helm guarda em cada uma das rugas que marcam o seu rosto cansado de um sexagenário, bons capítulos da vida de um rockstar. Diagnosticado com um câncer na garganta em 1998, Levon Helm teve que se submeter a um procedimento para a retirada do tumor e a sua continuidade no mundo da música foi posta em cheque.

E com Dirt Farmer, seu primeiro disco solo de estúdio nos últimos 25 anos, pode-se dizer que um milagre aconteceu.

Dirt Farmer
Levon Helm
Vanguard Records (Importado)

Boa parte das 13 músicas que compõem o álbum são versões de tradicionais canções que os Cajun (descendentes de acadianos que foram expulsos do Canadá e formaram colônias no estado americano da Lousiana) entoavam, levadas por violino e bandolins, das quais Levon Helm cresceu ouvindo na fazenda em que morava. Algumas como a espetacular “The Mountain” - um dos vários duetos com sua filha Amy Helm - e “Calvary”, são músicas de compositores contemporâneos de country.

A vitalidade da voz de Levon Helm não é a mesma depois da cirurgia, mas o seu característico timbre caipira, típico de um fazendeiro safado, ao invés de ser afetado parece ter se acentuado ainda mais.