O doce do Portishead
por LEONARDO DIAS PEREIRA - 07/05/2008
A pergunta que não quer calar no tão aguardado retorno do Portishead é: qual seria o motivo que os fez demorar mais de uma década para entregar um álbum novo?

Esgotamento ou bloqueio artístico são hipóteses fora de cogitação, já que nesse longo hiato eles lançaram um disco ao vivo (um ano depois do último disco de estúdio, mas lançaram), a vocalista Beth Gibbons lançou um disco solo e algumas aparições esparsas em tributos ocorreram. Problemas de relacionamento interno também não parece ser uma razão plausível.

Enfim, deixando de lado essa lenga-lenga sobre hipóteses (im)prováveis, o fato é que Third mostra que a sonoridade sombria e angustiante da banda ficou intacta, mas não datada. Eles inclusive arriscam incluir elementos inusitados em algumas faixas, como a levada tribal de “Nylon Smile”, a violinha (é uma viola mesmo ou um ukulele?) em “Deep Water” e as batidas industriais de “Machine Gun”.

Third
Portishead
Mercury (Importado)
A melhor faixa do disco, sem dúvida, é “The Rip”, que começa quase acústica, com o teremim dando aquele “climão” de suspense e vai subindo até desencadear numa viagem meio progressiva.

Pensando bem, talvez a razão da banda ter torturado e angustiado os seus admiradores com essa demora toda seja apenas uma: fizeram é um belo de um doce.