Prontos para dominar o mundo
por LEONARDO DIAS PEREIRA
O sucessor de Hot Fuss (04) - que vendeu mais de 5 milhões de cópias no mundo todo - está dando o que falar entre a crítica especializada. Uma parte acha que os garotos de Las Vegas exageraram na dose em Sam's Town, incrementando o som com melodias que beiram o épico, e por terem vendido o absurdo de cópias que venderam, estão se levando a sério demais. A outra acha o inverso, que os Killers continuam os mesmos do primeiro disco, sem mudar um pingo da sonoridade oitentista que tanto os caracterizou.

Verdade seja dita, os Killers realmente mudaram. E para melhor! Sam's Town mostra uma banda consciente do caminho que eles pretendem traçar nesse duro e frenético mundo da música moderna, em que o momento de uma banda (ou a banda do momento?) dura pouco menos que o tempo de um download. E esse caminho é justamente o mesmo trilhado por megabandas, como o U2, que lotam estádios não importando em qual lugar do mundo estejam.

Não é a toa que ao ser constantemente questionado sobre quando o novo dos Killers iria sair, Brendon Flowers (vocal) respondia que eles estavam trabalhando minuciosamente nas composições e nas letras, ouvindo diversos artistas para melhor se influenciarem, uma vez em que antes da fama não tinham dinheiro pra comprar discos.

THE KILLERS
Sam's Town
Universal Music
E parece que a banda em que eles mais se influenciaram foi justamente os irlandeses do U2. Parece não. Foi! Ao chamarem Alan Moulder e Flood para produzirem o disco, e Anton Corbijn para produzir as fotos do encarte, essa influência ficou escancarada. Mas justiça seja feita, os Killers não viraram mais uma cópia dos irlandeses, apenas procuraram se orientar melhor para não caírem facilmente no esquecimento, e principalmente, lotarem estádios.

O primeiro single, "When You Were Young", tem um pegada absurda, com riffs poderosos e refrão grudento que só Flowers sabe compor para a galera cantar junto. Ouvindo "This River Is Wild" dá até para imaginar o foguetório e as explosões no palco. O disco fecha com a engraçada "Exitlude", com a banda agradecendo a todos por estarem com eles - perfeita para fechar um megaconcerto, com o público extenuado de tanto cantar.

Só tem um porém: as letras estão recheadas de referências cristãs, mais precisamente dos dogmas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mormonismo), da qual os componentes são seguidores. Se não fosse isso, que acaba sendo um pouco pedante, certamente esse disco ganharia cotação máxima nessa resenha. Apesar dos pesares, não dá pra ignorar que os Killers ainda darão muito o que falar. Que venha o mundo!