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Experimentalismo sem propósito
por MARIÂNGELA CARVALHO
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Nove canções, setenta minutos de duração, oito bandas, um casal e um tema: sexo, drogas e rock'n'roll. Esta fórmula básica pode até ter sido a intenção do diretor Michael Winterbottom (o mesmo de "24 Hour Party People"), mas neste novo trabalho, o propósito se perdeu em meio ao experimentalismo pós-moderno.
Mesmo não sendo sustentado pela falta de um roteiro melhor estruturado, "Nove Canções" é um pseudo-retrato dos romances modernos, casuais; do amor suburbano sem traçar críticas e também da música, neste já fadado século do rock.
O casal protagonista, Matt (Karien O'Brien) e Lisa (Margot Stilley) passam quase que o tempo todo fazendo sexo. Não que o ato seja totalmente sem rumo, mas a apelação despudorada começa no nada e - pior! - termina em lugar nenhum. O casal que, suponha-se, se conhece num show age por instintos animalescos, onde o princípio do prazer é levado aos extremos e, parece, é a única verdade absoluta. Porém os diálogos são os mesmos que você poderia travar com seu parceiro e os shows são os mesmos que te fariam sair de casa. Em todo momento, imaginar-se na tela grande a sua frente é um processo de osmose: impossível preterir a vontade.
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Você assiste e se coloca no lugar do pequeno elenco, e transfere
aquelas cenas para o seu habitat, com suas próprias experiências
de amor e música caminhando juntos.
A quebra de estrutura no filme vem com as nove canções que dão
título, que dizem respeito às apresentações ao longo da realização.
Os shows apresentados são o ponto alto embora alguns sejam insossos
o bastante para não salvar o trabalho como um todo. Black Rebel
Motorcycle Club, The Von Bondies, Super Furry Animals, Franz
Ferdinand, The Dandy Warhols, Primal Scream e Michael Nyman
servem de trilha ao vivo.
O clima teatral e de improviso do casal condiz com os shows
das bandas mencionadas e, ao que parece, não tentam ser nada
além do que são na tela: a vida contada a partir dela mesma.
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Ilustração
sobre fotos de divulgação:
Bruno Dias |
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O segundo elemento da fórmula, as drogas, na verdade não aparecem tanto. Alguns cigarros e algumas carreiras de cocaína são o suficiente para dar o tom light-junkie aos atores.
Mas o filme é fraco e somente piora com o passar do tempo. Mesmo que a intenção não passe nem perto de crítica social ou política, falta-lhe realismo e até mesmo emoções. Mas a parte técnica merece reconhecimento: fotografia, iluminação e edição salvam o pouco que pode ser salvo. São bem feitos e produzem um belo resultado final, mesmo que o filme trace um caminho sem volta ao vazio e se perca totalmente na falta de lógica.
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