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Psiquiatria Rock
por MARIÂNGELA CARVALHO
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(SÃO PAULO/SP) The Playboys estão com dez anos de banda e continuam pedindo mesada. A "estética maluca" dos recifenses escrachadamente críticos, punks de outra geração, pode não ter sido muito bem ouvida mas fez barulho.
Com os trabalhos Palco 3 (single - 2005), Brincando de Punk (2004), Vivendo Cada Dia Mais Lindos e Perfumados (2000) e O Punk Não Morreu, Está Apenas Doente Por Enquanto(1997) para divulgar, a banda chegou ao puro absurdo de montar, como ficou conhecido depois, o "Palco 3", no Abril Pro Rock 2005, para chamar a atenção. Após esta tática de guerrilha, eles aprontaram um hit local que repercutiu em boa parte do país: "Paulo André Não me Ouve".
Operando situações de escárnio e deboche, os Playboys passaram por algumas capitais do Nordeste e devem logo descer para o sul/sudeste. Na bagagem, além do trabalhos lançados, eles vão levar mais três itens: uma caixa comemorativa aos 10 anos de banda, o clipe de "Paulo André Não Me Ouve" e o recém-finalizado documentário TamaRock.
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O documentário faz parte de um projeto desenvolvido pela própria banda e alguns parceiros, como a Símio Filmes, produtora que dirigiu e editou o vídeo. TamaRock é um curto retrato do evento que vem sendo realizado pelos Playboys dentro do Hospital Psiquiátrico Ulisses Pernambucano, o "Rock na Tamarineira".
Tamarineira é nome de um dos "bairros mais doidos de Recife" e é onde fica a instituição que atende cerca de 250 internos. O "Rock na Tamarineira" é uma proposta de se levar aos residentes do hospital outra forma de diversão e interação e já teve seis edições realizadas. O evento traz novas oportunidades de distração e outra perspectiva sonora para o público presente. Aberto à comunidade, o "Rock na Tamarineira" já juntou bandas como Mula Manca e a Triste Figura, Le Bustier em Decadénce e Rádio de Outono.
O Rock, vilão perfeito e mentor de distúrbios psiquiátricos há mais de 60 anos, levando muitos à loucura, figura pouco no gosto pessoal dos tamarineiros, mas é recebido com entusiasmo e de maneira muito real.
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| Fotos: Divulgação
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Para satisfazer um pedido quase unânime, a organização do festival deu um show cover de Roberto Carlos aos internos, além de todas as bandas proporcionarem momentos únicos de interação.
Junto aos vídeos dos shows, TamaRock traz profissionais do hospital e
figuras do rock pernambucano em quadros de entrevistas e depoimentos. Entre eles, Lilica (Backing Ballcats Barbis Vocals), HVB (Le Bustier) e João Neto, vocalista dos Playboys e idealizador do "Rock na Tamarineira" contam um pouco da irreverência naqueles shows e as apresentações para um público totalmente diferenciado.
Para comemorar os dez anos, os Playboys fecham 2006 com o lançamento de uma caixa especial com material inédito da banda, vídeos, shows, fotos e camisa. "Se a gente fechar com a revista Playboy, talvez role a revista comemorativa de nosso aniversário que terá Sandy na capa, mas ainda estamos em negociação".
O escracho característico celebra esses dez anos pedindo mesada mas mantendo a consciência. Para o ano que vem, eles prometem uma invasão país afora carregando instrumentos, trabalhos e uma satisfação tremenda.
Para saber mais, leia a entrevista realizada com Z.G.R. (teclados) e Flip (guitarras), integrantes do The Playboys.
Urbanaque - Como surgiu a idéia de fazer um festival de rock dentro de um hospital psiquiátrico?
ZGR - No ano de 2002 em Recife não tinha muito lugar para tocar e ao mesmo tempo os internos do Hospital Ulisses Pernambucano (mais conhecido como hospital Tamarineira ) precisavam de interação com o público externo. A idéia era suprir uma carência mútua.
Flip - Primeiro começou com um show de um dia e não um festival. Faltavam lugares legais pra tocar e divulgar a banda, e como já tínhamos uma proposta ousada, acho que nada ainda mais ousado do que tocar num hospital psiquiátrico.
Urbanaque - Qual o plano desenvolvido para que a hospital aceitasse a proposta do evento?
ZGR - No início, o projeto era totalmente independente. A gente falou com o pessoal da diretoria do hospital que permitiram os shows, então não pensamos duas vezes, colocamos as caixas de som na cabeça e fomos tocar dentro da Tamarineira. A partir de 2005, a Secretaria de Saúde da cidade do Recife passou a apoiar o evento dando uma ajuda de custo para o aluguel do som. Foi aí que o "Rock na Tamarineira", que era realizado em apenas um dia com duas bandas, passou a ser um festival de três dias e seis bandas.
Urbanaque - O público alvo são os internos da instituição e no vídeo dá pra ver que eles aceitam e interagem o tempo todo com as bandas que tocam. Como é tocar pra este público totalmente diferenciado do convencional num show?
ZGR - A primeira vez que tocamos foi uma incógnita, não sabíamos como ia ser a reação dos internos, mas foi fu-de-ro-so!!! A interação com a banda é total desde o primeiro acorde; eles pegam nossos instrumentos de brinquedo, cantam, pulam, gritam, recitam poesias e inclusive, sempre alguns internos fazem uma "jam" cantando músicas próprias ou de Roberto Carlos.
Urbanaque - Qual o retorno que vocês vêm obtendo com o festival?
ZGR - Além dos sorrisos e alegrias estampados nos rostos de cada um? Graças ao festival, garantimos o nosso público mais fiel.
Flip - A mídia e o público em geral aceitam bem a proposta. Sem dúvida é uma idéia bem sucedida.
Urbanaque - As bandas que participam aceitam numa boa o convite?
ZGR - Durante todo o ano a gente recebe e-mails de bandas querendo participar do "Rock na Tamarineira" e muitas vezes elas próprias se convidam, querendo ajudar de alguma forma e sabendo da importância e experiência em fazer um show em um hospital psiquiátrico, eu garanto a você que é um momento único na vida do ser humano, coisa de doido!
Urbanaque - "Rock na Tamarineira" é um projeto completamente fora do comum mas se encaixa na "estética maluca" do The Playboys. Qual a importância de estender a música à uma causa social como a do festival?
ZGR - Eu acredito que a arte de uma forma geral serve sempre como uma terapia ocupacional. Desta forma, não só a música mas o evento todo, serve para quebrar a rotina dos internos, trazendo alegria, diversão e interação entre todos. Além disto, o maior retorno é a mudança da concepção do público externo sobre a loucura. Esta resposta, a meu ver, é um benefício ainda mais duradouro não só para os internos, como para a sociedade de uma forma geral.
Flip - Acho que causas verdadeiramente sociais são sempre bem vindas, se as pessoas que estiverem sozinhas e tristes nos hospitais. Nós só tentamos deixá-las melhores.
Urbanaque - A última edição foi recentemente transformada em documentário, o TamaRock. Ele foi realizado em parceria com a Símio Filmes, que também se encarregou da produção e agora vocês estão em processo de divulgação do vídeo. Como tem sido?
ZGR - A galera da Símio (Maurício Targino principalmente) passou os três dias da penúltima edição (não foi da última, se bem que filmaram o primeiro dia da última ) registrando tudo e foi o que deu origem ao TamaRock. Esta parceria deu a possibilidade de mostrar um pouco em imagens e movimento o que acontece lá dentro.
Flip - Acho que esse vídeo ainda vai dar muito o que falar, não podemos analisar ainda por ser muito recente seu lançamento.
Urbanaque - O que vocês pretendem alcançar com o lançamento do TamaRock? Qual a repercussão esperada?
ZGR - Esperamos que pelo menos outras bandas também tenham este tipo de iniciativa em sua própria cidade. A repercussão está sendo bastante favorável graças ao You Tubes e Google Videos da vida, que facilitou o acesso pra este tipo de comunicação.
Flip - Difundir mais a banda e o festival. Esperamos que ele tenha o devido lugar como obra documentária.
Urbanaque - Passada toda aquela "polêmica" com "Paulo André Não me Ouve", agora vocês estão lançando também o clipe desta música. O Paulo André até mesmo autorizou o uso de suas imagens no vídeo. Como foi feito o clipe, qual o roteiro, quem fez, quando teremos a oportunidade de assisti-lo?
ZGR - Pois é, além da caixa 10 Anos Pedindo Mesada, ainda este mês estaremos divulgando o clipe de "Paulo André Não me Ouve" na Internet com direito à festinha de lançamento com a presença do próprio - seria uma desfeita ele não comparecer. O videoclipe é um mosaico de imagens da trajetória da banda com umas pitadinhas de animações toscas (mas meigas) feitas por Dani Valentim e sua trupe. Ainda este mês ele vai estar no ar...
Urbanaque - Você acha que vai rolar de tocar no Abril Pro Rock 2007?
ZGR - Dependendo de quem for abrir pra gente, acho que rola!
Flip - Estamos analisando a proposta.
* Acessem:
www.theplayboys.com.br
http://www.youtube.com/user/theplayboys
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