Com uma média de 3 mil pessoas nos dois primeiros dias, foi estranho ver poucas pessoas circulando neste domingo. “É normal ter menos público, mas vamos ver se os metaleiros comparecem. Só o metal salva né? [risos]”, disse Leonardo Razuk, um dos organizadores do Noise.
Mas nem o metal foi capaz de salvar o sofrível e constrangedor show do Fígado Killer (GO), que concorria diretamente com a partida de futebol que passava em uma televisão estrategicamente posicionada na barraquinha de churrasco. Resultado: a barraquinha conseguiu mais público.
E para mostrar como é que se faz “metaaaaaaal”, o Heaven´s Guardian ocupou o palco Monstro para abusar dos clichês. Teve sinos, coreografias, solos ovacionados pelo vocalista e um ventilado estrategicamente escondido no palco, que cuidava de dar movimento às cabeleiras dos integrantes.
Os curitibanos do Hillbilly Rawhide mostraram como se faz country rock regado a Jack Daniel´s, e além de arrebanhar um belo público, ainda improvisaram versões country de “Ace of Spaces” do Motörhead e “Highway to Hell” do AC/DC.
A psicodelia e experimentalismo dos belgas do Motek ficou bastante prejudicada pelo som desregulado, mas o grupo se saiu bem e consegui deixar algumas pessoas em transe. Outras bandas gringas bastante interessantes foram o The Ganjas (Chile) e o The Tormentos (Argentina), uma prova de que não é preciso ir tão longe para encontrar bandas legais.
Agora a seqüencia de shows para judiar dos tímpanos – e da paciência – das pessoas: Claustrofobia (SP), Periferia SA (SP) e Inocentes (SP). Tudo isso para testar a resistência da maioria do público que esperava ansiosamente a apresentação dos americanos do Helmet. E assim terminou a edição mais internacional do Goiânia Noise. Aguardem que logo mais publico todas as fotos e vídeos desses três dias de rock no centro do país.
Segundo dia de festival e o público resolveu dar as caras. Apesar do atraso de uma hora para começarem os shows, o número de pessoas já era bem superior ao primeiro dia. A primeira banda, Cicuta (GO), subiu ao palco TramaVirtual para soltar um cansativo metalzão clichê. Na seqüência, Mersault e a Máquina de Escrever (GO), aliviou os tímpanos das pessoas com um indie rock bem lo-fi. Depois, mais porrada na orelha com os pernambucanos do AMP, para outra aliviada de tímpano com o impecável show de Guizado (SP).
Destaque para o momento sem-noção do festival, protagonizado pelos catarinenses do Ambervisions, que em compania de Gurcius (da banda Os Legais), ficavam cuspindo água e cerveja no público, enquanto recitavam piadas pedófilas sobre Marcelo Camelo. Para aproveitar os ânimos exaltados do público, veio o Grangrena Gasosa (RJ) com seu culto ao tinhoso em forma de hard-core, com direito a banho com farofa de despacho de macumba na galera.
Depois do clima carregado, uma das melhores bandas de surf music do país, o The Dead Rocks (SP), botou todo mundo pra dançar no palco Monstro.
Fabrício Nobre (um dos donos do festival) e seu MQN se superou no quesito insanidade, e mandou o público invadir o palco para cantar o hino rock goiano “Cold Queen”, do disco Bad Ass Rock and Roll. Aos gritos de “Hey, Hey, Hey, Hey”, a catarse coletiva era tamanha que o guitarrista da banda tocava carregado pelo público.
Em uma seqüência de shows gringos, Black Melkon (Inglaterra), Black Mountain (Canadá) e The Flaming Sideburns (Finlândia) poderiam muito bem ter encerrado o festival, mas ainda sobrava, literalmente, o pessoal do Instituto (SP) tocando músicas do álbum Racional de Tim Maia. Uma pena esse pequeno deslize da organização, poderiam ter colocado eles para complementarem o clima ameno preparado por Guizado, ou então, depois da hipnose stoner rock dos canadenses do Black Mountain.
Em sua 14ª. edição, o Goiânia Noise Festival já pode ser considerado o mais internacional de todos os “Noises”. Black Lips (EUA), Vaselines (Escócia), Black Mountain (Canadá) e Helmet (EUA) estão entre as 10 atrações internacionais espalhadas pelos três dias de festival.
Ontem, dia 21, o Centro Cultural Oscar Niemeyer ficou pequeno para o público que compareceu para encarar a primeira maratona de 15 bandas. Entre os shows, destaque para Gloom (GO), Holger (SP), Mickey Junkies (SP), Calumet-Hecla(EUA), Canastra (RJ), Lucy and the Popsonics (DF), Vaselines (Escócia) e Marcelo Camelo (RJ).
Vale aqui um pequeno destaque para o show de Marcelo Camelo. Tendo como banda de apoio os paulistanos do Hurtmold, o que seria apenas a apresentação do vocalista do Los Hermanos ganha proporções gigantescas. Espremidos na grade, o público cantou todas as músicas do recém-lançado disco solo de Camelo, Sou.