
Em sua terceira passagem pelo país, Cat Power conseguiu apagar de vez da memória dos brasileiros o fiasco que foi sua estreia em palcos brasileiros, em 2001.
Sóbria e consciente do poder que sua voz exerce sobre a indiezada, a cantora focou seu repertório nos seus discos de covers, em especial seu recém-lançado Jukebox. Foi bonito ver e ouvir versões reconstruídas de “The House of The Rising Sun”, “New York, New York”, “Sea of Love” e “The Dark End of The Street”? Sim, foi muito bonito, mas ficou longe do sublime anunciado pela crítica, tão apressada e ainda hipnotizada com o canto da sereia Charlyn Marie Mashall.
O maior mérito de Marshall não é na praia da composição, e ela sabe disso. Tanto que escalou a excelente The Dirty Delta Blues para explorar o que tem de melhor, sua voz. E foi o que se viu durante toda a apresentação, uma cantora consciente de que ela não era a atração principal, fugindo com pulinhos “fofos” do canhão de luz que focava nela, enquanto a Delta Blues costurava o tapete vermelho sonoro para a “musa indie” desfilar tranquilamente pelo palco. Clima minimalista e introspectivo, plateia na mão e Cat Power tão à vontade e segura de si que presenteou a todos com um generoso bis.
Tanto a presença quanto a voz de Marshal são tão encantadoras, que têm o poderoso efeito de fazer uma lavagem cerebral nos fãs. Muitos deles se adiantaram e compraram os melhores ingressos pela internet, esperando conforto e tranquilidade.
Mas o que se viu na porta do Via Funchal foi uma fila gigantesca, banhada pela torrencial chuva que caiu de surpresa, enquanto a porta do evento permanecia fechada, acabando com a elegância e com o sorriso dos fãs.
Alguma reclamação depois? Não. Alguma resenha rancorosa depois? Também não. Vai ver que o fato de ter que assistir ao show sentado, com garçons à disposição, e uma Chan Marshall toda simpática distribuindo rosas brancas no final do show, acalmou os ânimos de todos.
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